A dissidência iraniana volta a ganhar força: moradores do país e de outras partes do mundo observam as novas mobilizações que se consolidam desde o fim de dezembro. Divergências políticas, crise econômica e tensões religiosas alimentam os protestos contra o regime, com grande participação popular e ações que vão além de questões domésticas.
Mansour Khajehpour e Nahid Sepehri, líderes de uma igreja presbiteriana em Teerã que hoje vivem no subúrbio de Seattle, enxergam o reflexo do passado nos dias atuais. Em 1996, foram presos por fé e denunciados pela atuação em ministérios cristãos; após a fiança, fugiram do Irã com a filha pequena. Hoje, mantêm vínculos com uma rede de casas de culto no exterior.
Desde o dia 28 de dezembro, milhares de iranianos ocupam as ruas de todas as 31 províncias, protestando contra o regime e a trajetória econômica do país. A mobilização inclui manifestações de outrora ligadas ao comércio e ao apoio ao antigo regime, agora associadas a uma demanda por mudanças profundas.
A resposta oficial tem sido violenta. O governo relata centenas de mortes, com estimativas não oficiais que indicam números muito superiores. O acesso à internet foi bloqueado no dia 8 de janeiro, dificultando a verificação de informações, mas vídeos de resistência ganharam espaço nas redes por meio de meios alternativos.
Enquanto isso, líderes cristãos no exterior relatam que fiéis no Irã passaram a manifestar apoio às manifestações. Advogam pela solidariedade entre comunidades e pela restauração de liberdades básicas, incluindo espaço para atividades religiosas sem perseguição. Há relatos de ações de oração mais explícitas pela queda do governo.
No âmbito internacional, o ambiente geopolítico influencia o movimento. Apoio americano mais contundente foi mencionado por autoridades dos EUA, com alertas sobre possíveis ações se a repressão persistir. Por outro lado, autoridades iranianas repetem acusações de interferência externa e enfatizam a soberania nacional.
Entre os participantes, há expectativa de que os próximos passos envolvam maior participação de estudantes, trabalhadores e comunidades religiosas. Enquanto isso, observadores destacam que a crise hídrica, energética e cambial agrava a sensação de insegurança entre a população.
Especialistas ressaltam que a história recente mostra uma mudança de postura de comunidades religiosas, que anteriormente evitavam a política. Hoje, símbolos de resistência e a esperança por um Irã mais aberto aparecem com maior frequência em mensagens de liderança cristã fora e dentro do país.
Para muitos fiéis, a busca por justiça social está ligada à fé. Lideranças do movimento ressalvam que a solidariedade entre diferentes comunidades é parte do processo de construção de um Irã livre, em que a igreja possa atuar sem represálias e contribuir para a reconstrução nacional.
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