O Conselho da União Europeia aprovou, na sexta-feira anterior, um acordo comercial com Mercosul, união aduaneira da América do Sul. O tratado criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de pessoas.
Após 25 anos de negociações intermitentes, a aprovação ocorre em meio a disputas comerciais e estratégicas. O acordo deverá ser assinado no Paraguai em 17 de janeiro, marcando um passo decisivo na relação entre a União Europeia e os países do bloco.
A assinatura chega quando os EUA adotam uma postura de poder duro, associada a planos políticos regionais. O pacto é visto como símbolo de autonomia econômica e estratégica para Europa e parte da América do Sul, frente a tensões com Washington.
Desde 1999, as negociações já tinham passado por muitas fases, com avanços recentes após mudanças de governo na Argentina e no Brasil. A intensificação ocorreu após a implementação de stricões ambientais pela UE e a resistência de setores agrícolas.
A negociação ganhou impulso com a mudança de foco de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai para diversificar parcerias comerciais. Mesmo com resistência de alguns membros europeus, como França, o acordo caminha para aprovação final.
Para Mercosul, o acordo não é apenas comércio: representa força geopolítica, fortalecendo laços com a UE enquanto o bloco reforça sua posição na relação com Estados Unidos e China. A integração regional recebe novo impulso.
A relação entre Brasil e União Europeia aumenta o interesse em minérios estratégicos, como terras raras, com o Brasil concentrando boa parte das reservas globais. A cooperação busca reduzir dependência de fornecedores externos a curto prazo.
Especialistas veem o acordo como resposta à narrativa de deglobalização, oferecendo uma alternativa de cooperação entre norte e sul global. A conclusão depende ainda de aprovações finais no Parlamento Europeu e nas legislaturas de Mercosul.
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