Israel demoliu nesta terça-feira a sede da UNRWA, agência da ONU que atende refugiados palestinos, em Jerusalém Oriental, e lançou gás lacrimogêneo contra uma escola profissional da ONU em Qalandia, Cisjordânia.
Segundo a UNRWA, equipes de demolição acompanhadas de policiais chegaram ao complexo no início da manhã. A sede, pouco usada nos últimos meses por questões de segurança, teve equipamentos confiscados e guardas privados expulsos.
Uma bandeira israelense foi hasteada no local, no bairro de Sheikh Jarrah, onde políticos israelenses chegaram ao local. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, descreveu o ato como “um dia histórico”.
Contexto
O governo de Israel acusa a UNRWA de colaborar com o Hamas, acusação negada pela agência. O Parlamento israelense já havia restringido operações da UNRWA no território, incluindo Jerusalém Oriental.
A defesa oficial sustenta que a UNRWA e o Hamas teriam encerrado operações no site e que não havia pessoal ou atividade da ONU ali. A ONG afirma que a demolição viola normas internacionais de proteção a instalações humanitárias.
Implicações e histórico
A UNRWA atende cerca de 2,5 milhões de refugiados na Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, além de outros 3 milhões na Jordânia, Líbia e Síria. A organização opera escolas, serviços de saúde e infraestrutura em campos de refugiados.
Nos últimos anos, a relação entre Israel e a UNRWA se acentuou. Em 2018 os EUA cortaram recursos, retomaram em 2021 e, em 2024, suspenderam novamente contribuições. As autoridades israelenses afirmam que a agência perdeu imunidade e função no território.
A demolição ocorre em meio a dezenas de ações contra organizações humanitárias na região, elevando preocupações sobre acesso de civis a assistência humanitária, conforme relatos de ONGs presentes na área.
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