Donald Trump apresentou, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, um projeto batizado de Board of Peace, visto por alguns como rival da ONU. Funcionários de nações convidadas disseram ter sentido que assinar era quase uma obrigação para não enfrentar a ira do presidente.
A iniciativa foi anunciada na semana anterior, com convites enviados a cerca de 60 governos. Cerca de 35 chefes de Estado ou de governo já teriam se comprometido até o momento, segundo autoridades da Casa Branca. O objetivo declarado é criar um corpo internacional mais ágil para construção de paz.
O Board of Peace, que seria chefiado por Trump, aparece como uma extensão do que começou como um plano para Gaza pós-guerra. O documento de base aponta a ampliação do mandato para crises globais, deslocando o papel tradicional da ONU em algumas situações.
Na prática, a carta constitutiva aponta um orçamento inicial de 1 bilhão de dólares para assegurar uma cadeira no conselho. O formato desperta dúvidas sobre localização da sede, status legal e poder decisório final.
Alguns dirigentes europeus manifestaram desconforto com pontos que concentrariam a autoridade em Trump. Um diplomata da UE afirmou que as decisões, ainda que consultadas entre Estados, dependeriam dos interesses nacionais de cada país.
França, Noruega e Suécia recusaram adesão até agora. Itália e Alemanha avaliam, enquanto outros membros da UE seguem analisando, sem anúncio formal. O Reino Unido adotou cautela e discute com aliados sem endosso explícito.
Especialistas de política externa ressaltam que a medida busca ampliar influência americana. Analistas indicam que o desconhecido mandato do Board facilita manter o poder de barganha, sem compromissos prévios.
Entre apoiadores, alguns governos latino-americanos e árabes veem o movimento como parte da estratégia de ampliar o espaço de atuação dos EUA. Turquia e Arábia Saudita, que já aderiram, destacam benefícios potenciais para Gaza e outros contextos.
Críticos alertam para riscos de retaliação e de mudanças abruptas na cooperação internacional. O debate sobre a viabilidade prática e o enquadramento legal do Board of Peace permanece ativo entre as capitais.
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