O Tribunal de High Court do Reino Unido determinou que os Emirados Árabes Unidos paguem mais de £260 mil a uma vítima de tráfico explorada por um diplomata em Londres. Pela primeira vez, um estado estrangeiro é responsabilizado pela servidão doméstica cometida por seu diplomata em solo britânico.
A vítima, filipina de 35 anos, foi contratada pela família do diplomata Salem Mohammed Sultan Aljaberi em 2012, no UAE. Em fevereiro de 2013, foi levada a Londres, onde ficou 89 dias presa, trabalhando mais de 17 horas por dia sem folgas, sob abuso verbal e com o passaporte retido.
Segundo o tribunal, a mulher recebeu remuneração abaixo do mínimo legal, não teve internet ou cartão SIM por meses e não contou com apoio no Reino Unido. Em novembro de 2014, o Home Office reconheceu o tráfico; em dezembro de 2015, recebeu autorização de permanência. A UAE não compareceu à audiência.
Responsabilidade e indenização
O tribunal reconheceu danos por false imprisonment, danos emocionais e lesões por PTSD, totalizando £262,292.76. Parte da soma é classificada como indenização exemplar, visando punir a conduta do diplomata.
O veredito destaca que o empregador explorou a trabalhadora para ganho financeiro, com retenção de salários como parte da servidão. A advogada da vítima afirmou que a decisão oferece responsabilidade aos estados enviados por seus representantes.
O embaixador e a embaixada dos Emirados não comentaram até o fechamento desta reportagem. A decisão abre precedente jurídico quanto à responsabilização de Estados por condutas de seus diplomatas em território estrangeiro.
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