O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou nesta terça-feira para o Panamá, dando início à sua primeira agenda internacional de 2026. A viagem integra o calendário diplomático do ano e ocorre em meio a sinais de mudança no cenário geopolítico com a pressão de Donald Trump sobre os EUA.
O principal objetivo é a participação de Lula no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pelo CAF. O evento acontece nos dias 28 e 29 de janeiro, em formato que busca consolidar um espaço permanente de debate econômico regional. Lula fala na sessão de abertura, logo após o presidente panamenho José Raúl Mulino.
Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe
Além do protagonismo do Brasil, o encontro reunirá chefes de Estado de governos variados, incluindo Bolívia, Equador, Chile e Jamaica. A agenda aponta para diálogo com novos governos de perfil conservador e com foco na integração regional, em meio a pressões externas e questionamentos ao sistema multilateral.
A visita também tem desdobramentos econômicos. Lula deve assinar um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos com o Panamá, para estimular e proteger fluxos de capital bilaterais. Hoje o Panamá é o sétimo destino de investimentos brasileiros no exterior, com aproximadamente 9,5 bilhões de dólares em estoque.
Canal do Panamá e logística regional
O Panamá é visto pelo Itamaraty como hub estratégico para o comércio da região. O Brasil é um dos principais usuários do Canal, pelo qual passam cerca de sete milhões de toneladas de exportação brasileira por ano. Lula tem programação para visitar o canal, em gesto simbólico diante do debate internacional sobre soberania da via.
Entre os temas de diálogo, a situação da Venezuela, o avanço do crime organizado e os impactos da instabilidade política sobre investimentos devem surgir nos encontros paralelos. O Itamaraty observa que tais assuntos conectam questões econômicas, de segurança e o papel do multilateralismo.
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