Iran vive momento de incerteza após divulgar-se a morte do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei em ataques atribuídos aos EUA e a Israel, no sábado. A confirmação oficial ainda não ocorreu, mas a notícia pode impactar a continuidade da orientação clerical no país.
O sistema iraniano combina teocracia e estruturas civis. A liderança suprema, apoiada por conselhos clericais, define as linhas da política externa e interna, enquanto o parlamento e o governo atuam dentro de parâmetros estabelecidos pelo clero.
Os analistas destacam a dificuldade de prever desdobramentos, dada a influência dos Guardas Revolucionários e de suas redes. A legitimação da liderança depende de instituições que variam entre nomeação e aprovação de representantes clericais.
Quem poderia suceder Khamenei como ‘Líder Supremo’?
O cargo exige ser cleric sob a doutrina da vilayat-e faqih. Até o momento, Khamenei não indicou publicamente um sucessor. O filho Mojtaba Khamenei aparece como possibilidade, embora sua posição e futuro sejam incertos. O neto Hassan Khomeini e outros clerigos já foram mencionados.
A escolha tende a depender dos elementos mais importantes da República Islâmica, com a Assembleia de Peritos tendo papel de aprovação. A complexidade aumenta após ataques recentes que teriam afetado líderes-chave, incluindo figuras próximas ao líder.
Nenhuma figura atual detém o mesmo peso de Khamenei, o que pode dificultar a dominação sobre grupos de interesse, como os Guardas Revolucionários e conselhos clericais.
A teocracia persiste?
As elites clericais controlam órgãos que influenciam toda a máquina estatal. A Assembleia de Peritos, composta por ayatolás eleitos, nomeia o líder, com poderes para questionar ou até destituir um líder — embora isso ainda não tenha ocorrido.
A escolha, na prática, tende a ser feita pelos figuras mais seniores da República, com aprovação da assembleia. O estado depende de clerigos também para o Judiciário, chefiado por um magistrado nomeado pelo líder.
Entre os figuras influentes estão ex-chefe da Justiça Sadiq Larijani, Mohsen Araki e Ahmad Khatami, além do atual chefe do Judiciário, sancionado por ocidentais por repressões em 2009.
Qual papel caberia aos Guardas Revolucionários?
Diferente do aparato militar civil, o Corpo de Guardas Revolucionários responde diretamente ao líder supremo. O comandante Mohammed Pakpour foi morto no sábado, segundo três fontes.
O IRGC ampliou seu poder desde a Revolução, com atuação na defesa do regime e expansão para política e negócios. A força é hoje vista como a mais poderosa das Forças Armadas do país.
O braço externo, a Força Quds, lidera a estratégia regional de apoio a grupos xiitas, com atuação estratégica no Líbano e no Iraque. O grupo já sofreu reveses após ataques de adversários, como a morte de Qassem Soleimani em 2020.
A Basij, parte civil do IRGC, atua em manifestações internas. A atuação econômica do IRGC cresceu desde os anos 2000, com contratos bilionários no setor de petróleo e gás.
As recentes ações contra líderes do IRGC levantaram dúvidas sobre infiltração de inteligência ocidental em seus escalões.
Mesmo assim, o IRGC é visto como peça central no desdobramento político do país.
Por que ocorrem eleições no Irã?
O Irã realiza eleição presidencial e legislativa a cada quatro anos. O presidente forma o governo para políticas diárias, dentro dos limites do líder supremo.
Nos primeiros anos da República Islâmica houve participação maciça, mas restrições do Conselho Guardian, resultados controversos de 2009 e a presença de instituições não democráticas minaram a confiança no processo eleitoral. O presidente eleito em 2024 foi Masoud Pezeshkian, considerado moderado, e Israel afirmou ter também sido alvo no ataque de sábado, sem confirmação definitiva sobre seu estado.
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