A Comissão Europeia adotou uma postura aberta a discutir vínculos comerciais mais estreitos com o Reino Unido, incluindo uma possível união aduaneira. O comissário de Economia, Valdis Dombrovskis, disse à BBC que o bloco está disposto a dialogar com mente aberta sobre o tema.
As declarações ocorrem em meio a pressão dentro do Partido Trabalhista para explorar uma união aduaneira com a UE, enquanto o governo britânico busca impulsionar o crescimento econômico diante de um cenário geopolítico instável. O líder trabalhista, Keir Starmer, sinalizou interesse em aprofundar ligações com o mercado único, mas afirmou que a união aduaneira pode não atender aos interesses atuais.
Após conversas com ministros, incluindo a secretária do Tesouro, Rachel Reeves, em Londres, Dombrovskis indicou que o Reino Unido não poderia escolher áreas específicas do mercado único para alinhamento mais próximo. A posição da UE continua sendo a de que a participação no mercado único, com as quatro liberdades, é a opção mais mutuamente benéfica.
Ontem, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, deixou antever uma mensagem de que Europa e Reino Unido precisam de uma nova forma de cooperação em comércio, alfândega, pesquisa, mobilidade e defesa, conforme cópia antecipada de discurso obtida por veículos. A comissão enfatizou que o mercado único continua a ser um ativo valioso para a relação.
Entre os temas em pauta, seguem negociações sobre acordo veterinário, programa de intercâmbio jovem e ligação de sistemas de comércio de emissões de carbono. Oficiais avaliaram que futuras discussões, inclusive em uma cúpula UE-UK ainda sem data marcada, devem esclarecer as intenções britânicas.
Analistas observam que a adoção de uma união aduaneira restringiria acordos comerciais com países como Índia, Austrália e Japão, que hoje destacam-se como símbolos do Brexit. Em contrapartida, uma aproximação maior com a UE poderia reinterpretar o peso das negociações externas britânicas.
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