Aos 14 anos, Arti vivia em Shravasti, região fronteiriça entre a Índia e o Nepal, onde o casamento infantil segue como prática comum, ainda que ilegal. Em 2013, uma pesquisadora de fotojornalismo começou a investigar a realidade local após tomar conhecimento de estatísticas alarmantes que apontavam 25% de meninas casadas até os 19 anos na área.
No dia a dia, Arti gerenciava tarefas domésticas ao lado de familiares e amigos, parecendo estar no controle das festividades. Em abril de 2014, Saumya Khandelwal a conheceu um dia antes do matrimônio, quando Arti mostrou espontaneidade e liderança enquanto organizava os preparativos.
O casamento ocorreu em seguida, e Arti passou a morar com a família do marido, deixando de ter acesso à educação. Enquanto ela se esforçava para atender às expectativas da sogra, o marido, mais velho, continuou estudando, mantendo-se com oportunidades parcialmente distintas.
Aos 17 anos, Arti viveu a primeira gravidez, que terminou em aborto em 2019, deixando-a emocional e fisicamente fragilizada. Em abril de 2020, durante a primeira onda da pandemia, o pai‑in‑lei confirmou a morte de Arti por suicídio.
A perda trouxe à tona os extremos da prática de casamento infantil: a ilegalidade formal contrasta com a persistência de normas sociais que limitam a autonomia das mulheres e podem resultar em consequências irreversíveis. O relato ressalta a urgência de políticas e ações de proteção.
Contexto e impactos: a reportagem de Saumya Khandelwal, baseada em Shravasti, evidencia como a pressão social, a restrição de escolhas educacionais e a desigualdade de gênero alimentam ciclos de violência e vulnerabilidade entre meninas jovens na região.
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