O conflito no leste da República Democrática do Congo se intensifica e chega a comunidades remotas. Em Fizi, sul de Kivu, o hospital geral recebeu um soldado ferido com dois tiros nas pernas após passar pela linha de frente nas montanhas ao norte da cidade. A ocorrência evidencia a escalada entre as forças do exército congolês e grupos rebeldes.
A ofensiva tem como protagonistas o Exército da República Democrática do Congo e o grupo AFC/M23, que atua com apoio de facções locais como Twirwaneho, formado por Congoleses de etnia tutsi. As lutas, que ocorrem longe de áreas urbanas, atraem mais combatentes de ambos os lados e elevam o risco para civis na região.
O hospital de Fizi, apoiado pela Cruz Vermelha Internacional, recebia, até o fim de janeiro, 115 feridos, superando em mais de quatro vezes a capacidade de 25 leitos. Médicos destacam ferimentos em membros e infecções graves por falta de estrutura adequada na linha de frente.
Cenário estratégico e diplomacia
Os combates avançaram no início do ano passado, com a tomada de Bukavu pela AFC/M23 em 2025 e, posteriormente, de Uvira. As ações foram recuadas sob pressão dos EUA, que influenciou acordos envolvendo a região. Conflitos recentes concentram-se na região de Minembwe, em Fizi, onde há combate entre o Exército e o grupo rebelde, aliado aos Banyamulenge.
Autoridades internacionais atribuem ao Ruanda apoio ao AFC/M23, inclusive em coordenação de operações, enquanto Kigali nega envolvimento direto. Enquanto isso, a ONU e potências ocidentais monitoram a evolução para avaliar impactos sobre a paz regional e sobre investimentos minerais.
Especialistas destacam que o controle das altas terras em torno de Uvira tem importância estratégica, pois facilita o acesso a cidades de planície e a centros de extração de minerais. O objetivo governamental é assegurar Uvira e impedir a expansão do conflito para Tanganyika e Katanga.
O envio de uma missão de monitoramento de cessar-fogo mediada pelo Qatar, acordada entre Congo e AFC/M23, está em vias de implantação pela ONU. Na prática, o fluxo de feridos permanece elevado, e o hospital de Fizi teme não suportar a demanda por atendimento caso o cenário se prolongue.
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