Rodrigo Paz assumiu a presidência da Bolívia em novembro de 2025, em meio a crise econômica e política. Nos primeiros 90 dias, ele lançou um amplo plano de reformas para enfrentar déficits, inflação e disputas internas, mantendo foco na estabilidade.
A gestão herdou inflação acima de 20% e reservas cambiais em uma fase crítica. Sem maioria no Congresso, Paz enfrentou oposição e resistência interna, incluindo descontentamento dentro do próprio gabinete. Sua prioridade foi impedir o colapso fiscal.
Em 18 de dezembro, promulgou o Decreto Supremo 5503, que eliminou subsídios aos combustíveis e elevou preços. A medida visava conter gastos públicos, mas provocou protestos intensos e mobilizações em várias cidades.
O governo acompanhou o decreto com compensações: aumento do salário mínimo, reajustes em bolsas de estudo e aposentadorias, além de um novo programa emergencial de transferência de renda. A estratégia misturou ajuste fiscal e proteção social.
Paz também abriu a economia, simplificando regras regulatórias e oferecendo incentivos para atrair investimentos, incluindo capital estrangeiro repatriado. A mensagem era de abertura para negócios, com salvaguardas sociais.
Reorientação externa e resposta social
O presidente reconfigurou a diplomacia ao restabelecer relações com os EUA e Israel, além de sinalizar cooperação com instituições multilaterais de crédito. A volta da DEA foi discutida como parte da nova ordem diplomática.
Medidas externas geraram apoio de organismos financeiros, com sinalizações de crédito para o programa econômico. Contudo, radicais da base rural e segmentos ligados a Evo Morales alertaram sobre riscos à soberania e à estabilidade regional.
Internamente, o vice-presidente Edmand Lara rompeu com o governo logo após o início do mandato, evidenciando fragilidade da coalizão. A falta de maioria na Assembleia exigiu constante negociação para avançar as reformas.
A mudança externa também gerou críticas entre apoiadores do MAS, que acusam Paz de abandonar o legado do ex-presidente Morales. Mesmo assim, o governo afirma manter foco na credibilidade institucional e na estabilidade econômica.
Fontes: Estadão.
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