A secretária-geral da Commonwealth, Shirley Botchwey, afirmou que espera avanços entre as nações-membros para iniciar negociações sobre reparações pela escravidão transatlântica. A organização reúne 56 países, liderados pelo Rei Charles, com foco em tratar o tema de forma multilateral. A declaração foi dada a Reuters durante entrevista.
Botchwey, ex-ministra das Relações Exteriores de Gana, disse que há movimento para colocar as partes à mesa para discutir caminhos e formas de reparação. As negociações devem envolver grupos regionais, como a Caricom e a União Africana, em uma abordagem multilateral.
Apoio às chamadas por reparação cresce entre os países. Estima-se que, entre os séculos XV e XIX, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados para a escravatura pelos europeus. A Grã-Bretanha ficou entre as nações mais ativas, transportando cerca de 3,2 milhões de pessoas, atrás apenas de Portugal.
A União Africana tornou a reparação o tema do ano, buscando uma posição comum entre seus Estados-membros. A Caricom apresenta um plano de 10 pontos, incluindo a possibilidade de perdão de dívidas, posição que tem enfrentado oposição britânica. Botchwey afirmou estar aberta a formas simbólicas de reparação, além de recursos financeiros.
O príncipe Charles, que assumiu o trono em 2023, é destacado pela Commonwealth como ativo para a organização. Em meio a críticas sobre a relação de seu irmão, Andrew Mountbatten-Windsor, com Jeffrey Epstein, o Palácio de Buckingham declarou apoio a investigações policiais, após a divulgação de documentos que sugerem compartilhamento de informações comerciais confidenciais.
Segundo Botchwey, o papel do Rei Charles na relação entre a Commonwealth e seus membros tem sido relevante para a manutenção do diálogo e da relevância da organização. A secretária-geral ressaltou ainda que a atuação dele agrega valor às atividades da Commonwealth e facilita o trabalho entre os países membros.
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