Wayne Harvey, um expatriado australiano de 69 anos, morreu em um hospital de Denpasar, Bali, poucos dias após a embaixada australiana não emitir um passaporte de emergência que, segundo sua família, poderia ter salvado sua vida. O hospital Puri Raharja informou complicações pós-operatórias após a remoção do apêndice, e recomendou encaminhamento para o hospital público Prof Ngoerah, próximo dali.
Segundo Jake Harvey, filho único de Wayne, o passaporte era indispensável para a transferência entre hospitais. Em 1º de janeiro de 2023, ele ligou para o Centro de Emergência Consular da Austrália, em Canberra, solicitando a emissão de um passaporte de emergência. A equipe consular alegou que não poderia discutir o caso sem o consentimento de Wayne por razões de privacidade.
Nos dias seguintes, Jake manteve contato insistente, enviando e-mails, ligações e vídeos do estado de saúde do pai. Em 3 de janeiro, a embaixada enviou um resumo do quadro clínico com base em informações de enfermeiro de plantão, admitindo que o hospital local não atendia aos padrões australianos, mas descreveu o quadro como estável. A família discordou das informações recebidas, segundo Jake.
Ao longo de 3 de janeiro, Jake questionou a ausência de documentos necessários para transferir Wayne ao Prof Ngoerah e solicitou que o consulado ajudasse a obter o consentimento ou os documentos requeridos. Não houve resposta efetiva, e o passaporte de emergência não foi emitido. Wayne Harvey morreu em 7 de janeiro de 2023, sem ter sido transferido.
O corpo de Wayne foi levado para o necrotério do hospital recomendado para transferência, que não ocorreu. A reclamação de Jake, apresentada dois dias após a morte, permaneceu sem resposta por mais de dois anos. Em 2025, após novo contato, a Embaixada e o Departamento de Relações Exteriores e Comércio (DFAT) reconheceram falhas no atendimento.
Em outubro de 2025, o DFAT informou que realizou uma revisão interna do caso, com base em relatos de Jake, e enviou uma carta de desculpas. A nota indicou que houve falhas na comunicação com a família durante situações críticas e que os procedimentos foram ajustados para evitar recorrências. O DFAT afirmou que as decisões não se basearam no desfecho médico, mas na avaliação de informações médicas disponíveis.
O DFAT reiterou que não houve intenção de violar privacidade nem de retardar o atendimento, e que os oficiais consulares dependem de orientações médicas para avaliar a gravidade do quadro. A pasta destacou que aprendeu com o caso e implementou mudanças para melhorar a comunicação com familiares de cidadãos no exterior.
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