Ramadan começa em Gaza em meio aos escombros de mesquitas e ao uso de espaços improvisados para oração. Familiares sem-teto ocupam ruínas, enquanto moradores buscam manter o mês sagrado com o que resta dos lugares de culto.
Na cidade de Gaza, a cúpula da mesquita Al Hassaina desabou sobre o monte de entulhos. O antigo pátio, onde fieis se reuniam, hoje abriga famílias que dormem e cozinham entre as ruínas, com varais de roupas cruzando o espaço.
O morador Sami Al Hissi, voluntário na mesquita, descreve a dificuldade de enfrentar a realidade: não há mais ampla presença de fiéis como antes, e agora há espaço para menos de cem pessoas. As imagens mostram crianças brincando sobre cúpulas rachadas e mulheres recolhendo roupas entre pilares quebrados.
O impacto é sentido pela comunidade muçulmana que costuma migrar de bairros como Shejaia e Daraj durante o Ramadan, acrescentando que o mês já não recebe o fluxo de milhares de fiéis de outrora. Hoje, muitos locais de oração foram reduzidos a pontos de encontro de desalojados.
Para muitos residentes, a perda é tanto espiritual quanto comunitária. Moradores deslocados relatam desejo de celebrar Ramadan em ambiente diferente, mas enfrentam a escassez de mesquitas e a necessidade de orar em tendas improvisadas, sem espaço adequado.
A Defesa religiosa em Gaza informou que esforços de reconstrução seguem, com espaços de oração sendo levantados ou adaptados. Ao todo, cerca de 430 áreas de oração foram reorganizadas, usando lonas de pavilões, madeira e materiais reaproveitados de viveiros e acampamentos, conforme a autoridade local.
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