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ONU aprova mapa-múndi que mostra África com tamanho mais fiel ao real

Antigo mapa de Mercator amplia regiões polares, enquanto projeção Equal Earth busca respeitar dimensões dos continentes

Mapa-múndi na projeção Equal Earth, com continentes representados em suas proporções reais de tamanho, em português.
Projeção Equal Earth busca representar tamanho real dos continentes (Crédito: Tom Patterson/Equal Earth)

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira (4) uma resolução que recomenda a substituição do mapa de Mercator, do século 16, por uma projeção que representa com mais fidelidade o tamanho real dos países. A proposta foi apresentada por nações africanas que buscam reduzir a percepção de que o continente ocupa posição secundária no cenário mundial.

A iniciativa foi conduzida pelo Togo, que dá continuidade à campanha da União Africana contra o uso do mapa de Mercator. Essa projeção amplia o tamanho das regiões mais próximas dos polos, o que faz a Groenlândia parecer quase do mesmo tamanho da África, quando na realidade o continente africano é 14 vezes maior.

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Antes da votação, o chanceler togolês Robert Dussey afirmou à Reuters que “Um mundo justo começa com um mapa justo”.

A resolução promove a adoção da projeção “Equal Earth”, que reproduz de forma mais precisa as proporções dos continentes.

O texto não tem caráter vinculante. Segundo comunicado do ministério togolês, a medida “de forma alguma questiona o uso da projeção de Mercator para a navegação marítima e aérea, para as quais ela continua sendo totalmente adequada”.

O texto foi aprovado por 164 votos favoráveis, uma rejeição e seis abstenções.

Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a proposta. O governo americano declarou que a resolução promove uma  e representa uma distração dos “problemas reais da paz internacional, da prosperidade ou das boas relações”.“agenda ideológica”

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Mapas nas escolas

O mapa de Mercator segue presente na maioria das salas de aula, mas o Togo pretende atualizar seu material escolar de geografia até o fim do ano, segundo Dussey.

“Nas salas de aula, precisamos mudar isso para dar o exemplo a todos os países do mundo”, acrescentou o ministro.

O país deve pressionar outros governos, instituições de ensino, organismos internacionais e empresas de tecnologia a abandonarem a projeção centenária. Dussey destacou que o Equal Earth oferece a representação mais adequada do planeta atualmente.

Nos próximos seis meses, o Togo pretende se reunir com Estados-membros da União Africana e com apoiadores de outras regiões para definir estratégias conjuntas de adoção do novo mapa. O ministro defendeu ainda que empresas de mapeamento, GPS e outras tecnologias de localização participem dessa discussão.

Dussey associou a campanha aos esforços mais amplos do continente para enfrentar heranças do período colonial, embora tenha reforçado que a iniciativa não representa uma crítica à Europa ou a qualquer outra civilização. Segundo ele, a disseminação do mapa de Mercator é um reflexo direto do processo de colonização.

“O mundo está mudando. A África também está mudando”, concluiu.

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