España pedirá à União Europeia que levante as sanções impostas a Delcy Rodríguez, presidenta encarregada da Venezuela, após a aprovação, na Assembleia Nacional venezuelana, de uma lei de amnistia para presos políticos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo ministro de Relações Exteriores, José Manuel Albares, em Barcelona. A medida ocorre no contexto de passos anunciados pelo governo espanhol para abrir espaço a um diálogo democrático na Venezuela.
Albares afirmou que as sanções devem ser vistas como instrumento de estímulo ao diálogo, não como objetivo final. Segundo ele, a União Europeia precisa sinalizar que caminha para uma transição democrática em Caracas, desde que haja progressos. O ministro também pediu a Rodríguez que crie condições para que venezuelanos que deixaram o país, inclusive uma parcela significativa no exterior, possam retornar.
O governo espanhol já havia indicado, em janeiro, que manteria a pressão diplomática caso haja avanços na transição democrática. Nesta sexta, Albares revelou a intenção de apresentar formalmente o pedido de retirada de Rodríguez da lista de sanções. A ação deve constar da agenda do Conselho de Assuntos Exteriores da UE, na próxima semana, com foco também em outros temas como sanções a Rússia e a situação no Oriente Médio.
Proposta em nível europeu
Em reunião preparatória, a Espanha sugeriu incluir na pauta do CAE um ponto sobre a Venezuela. Fontes europeias confirmaram o pedido, embora ainda não haja confirmação de debate ou votação entre os Estados-membros. Caso o tema seja debatido, o chanceler poderá esclarecer os motivos para reavaliar as sanções aplicadas à presidente encarregada.
Albares elogiou a aprovação unânime da amnistia no Parlamento venezuelano e desejou que o texto seja o mais amplo possível, visando liberais e opositores que se encontram privados de liberdade. Ele ressaltou que há cerca de 200 mil venezuelanos vivendo na Espanha e que muitos desejam retornar ao país.
O governo espanhol lembra que a UE não sancionou Maduro, mantendo, normalmente, sanções individualizadas a autoridades específicas para preservar o diálogo. A mudança de abordagem dependerá da continuidade dos passos democráticos por parte das novas autoridades venezuelanas.
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