Um juiz federal de Washington anulou a nomeação de Kari Lake, escolhida por Donald Trump para reformar a Voice of America (VOA) e, com isso, suspendeu os grandes cortes de pessoal que atingiram cerca de 1.300 trabalhadores da emissora pública. A decisão aponta que Lake excedeu as atribuições durante sua gestão interina na US Agency for Global Media (USAGM). O veredito mantém o serviço da VOA em análise, enquanto a apelacão é apresentada.
A decisão, proferida pelo juiz Royce C. Lamberth, determina que todas as medidas de redução de quadro entre 31 de julho e 19 de novembro de 2025 devem ser anuladas. O magistrado também classifica o nomeamento de Lake como violação do ordenamento jurídico e constitucional, sob alegação de que não houve confirmação pelo Congresso ou indicação adequada de uma funcionária anterior à vacância. Lake recorreu da decisão.
A VOA, criada em 1942, atua com serviços em vários idiomas e alcança centenas de milhões de ouvintes globais. A exoneração dos funcionários tinha sido autorizada pela diretora interina, segundo a denúncia judicial, parte de uma agenda de corte de gastos do que o governo chamou de Departamento de Eficiência Governamental. A Casa Branca ainda não se posicionou sobre o mérito da decisão.
Situação judicial e próximos passos
Três respondentes, entre eles ex-funcionárias da VOA, afirmaram que a demissão seria politicamente motivada para enfraquecer a cobertura independente. O tribunal manteve que as ordens de redução de quadro não tinham validade e pediu revisão mais ampla pelas instâncias superiores. A decisão não encerra o caso, que deve seguir para etapas processuais adicionais.
As funcionárias citadas elogiaram a decisão como reparação de danos a uma instituição de jornalismo público. Elas destacaram que a medida devolve a possibilidade de manter operações globais da VOA e manter o jornalismo livre de doutrinação. Enquanto o processo não é concluído, as demissões continuam suspensas e a VOA permanece com o site inativo, registrando apenas reportagens anteriores.
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