Bobi Wine anunciou, nesta sexta-feira, que deixou temporariamente o país após dois meses no esconderijo. O líder da oposição ugandense afirmou, em mensagem publicada na plataforma X, que se ausentou para compromissos “críticos fora de Uganda”, sem detalhar o destino ou as atividades.
O artista pop-turned-politician, cujo nome de nascimento é Robert Kyagulanyi, contestou o resultado das eleições presidenciais de janeiro, acusando fraude. Ele vinha se mantendo fora do país desde a fuga de sua residência em Kampala, temendo repressões. Wine disse que, no momento adequado, retornará para seguir a defesa de sua causa.
Wine relatou que as forças de segurança montaram bloqueios de estradas e realizaram raids na busca por sua localização. O governo e o comando militar de Uganda não responderam de imediato aos pedidos de comentário sobre a mensagem do oposicionista. Muhoozi Kainerugaba, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e filho de Museveni, afirmou em redes sociais que o Exército busca Wine, sem esclarecer o motivo ou eventual acusação.
Contexto e cenário político
O presidente Yoweri Museveni, 81 anos, está no poder desde 1986 e tem visto eleições repetidamente rejeitadas pela oposição e por direitos humanos, que denunciam intimidação e violência. O governo nega tais acusações e sustenta a legitimidade de seus mandatos.
Wine, conhecido por sua atuação musical, tem sido uma voz central na oposição e afirma que o processo eleitoral não refletiu a vontade popular. O episódio recente intensifica a incerteza política no país e aumenta a pressão internacional por procedimentos transparentes.
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