La presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, volta a causar atrito com a governante mexicana após inserir críticas sobre a conquista da América. Em entrevista ao Okdiario, Ayuso afirmou que os abusos já ocorreram entre povos autóctones durante os rituais de sacrifício praticados por aztecas e maias. O posicionamento reacende o debate sobre perdão histórico.
O embate ganhou contornos institucionais após declarações do rei Felipe VI. Em visita a uma exposição sobre mulheres indígenas mexicanas, o monarca reconheceu abusos e controvérsias éticas na colonização. O rei pediu uma leitura objetiva do passado, sem presentes julgamentos morais, mas sem descarte da crítica histórica.
O governo mexicano afirmou que as palavras do rei podem sinalizar abertura para um pedido de perdão. A ministra mexicana Claudia Sheinbaum reagiu positivamente, descrevendo o gesto como um passo de aproximação entre os dois países. Beatriz Gutiérrez Müller, historiadora ligada à presidência, tem defendido o perdão com veemência.
Ayuso sustentou que não é necessária penitência de Espanha. Ela acompanhou o argumento de Feijóo de que revisar episódios do século XV no século XXI seria inadequado. A presidente também defendeu que a colonização inaugurou um processo civilizatório e um novo modo de vida no continente.
Abrangência do debate
Ayuso afirmou que a conversa entre o rei e o embaixador mexicano ocorreu em um ambiente privado, ampliando o contexto de cordialidade entre as nações. Ela destacou que o monarca costuma apresentar mensagens de respeito a México, que é considerado país irmão.
A controvérsia entre Ayuso e Sheinbaum já havia surgido há meses, quando Ayuso comparou o governo mexicano à ditadura cubana. A mexicana contestou a comparação, veiculando que México segue seu próprio caminho sem copiar modelos externos.
O histórico desse confronto remonta a 2019, quando López Obrador enviou ao rei Felipe VI uma carta pedindo desculpas. A Espanha negou o pedido, e o México reagiu não convidando o monarca para a posse de Sheinbaum, o que intensificou a tensão diplomática. A questão permanece em pauta nos dois países.
Ayuso mantém posição de alinhamento com a visão de que o passado não requer arrependimento formal de Espanha, enquanto Sheinbaum reforça a defesa de uma reconciliação histórica entre México e Espanha.
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