WASHINGTON — Representantes da República Democrática do Congo (RDC) e de Ruanda passaram duas jornadas de negociações em Washington, na terça e quarta-feira, com foco no processo de paz na região leste da RDC. O encontro ocorreu após sanções americanas à Ruanda em 2 de março e visou reduzir tensões entre as partes.
As delegações se reuniram com mediação dos EUA, em um esforço para dar novo impulso ao acordo de paz. Washington acusa Ruanda de apoiar o grupo M23; Kigali nega as acusações. O M23 avançou rapidamente no leste da RDC em janeiro de 2025 e ainda controla áreas significativas.
Pontos centrais do acordo
As partes divulgaram uma declaração conjunta, divulgada pelo Departamento de Estado, anunciando passos coordenados para desescalar as tensões e avançar no terreno. O texto cita compromissos mútuos para respeitar soberania e integridade territorial, além de definir a retirada de defesas em áreas específicas do território da RDC.
Entre as medidas, está a retirada de forças de Ruanda em áreas definidas do território congolês, prazos mais curtos para ações de neutralização do grupo FDLR e proteção de civis. O FDLR foi criado por honduras que fugiram de Ruanda após o genocídio de 1994, e o M23 afirma lutar pela proteção de comunidades étnicas Tutsi.
Contexto recente
O acordo de paz anterior foi assinado em Washington, em dezembro, como parte de uma iniciativa apoiada pelo governo dos EUA para atrair investimentos ocidentais. Poucos dias depois, o M23 entrou na cidade de Uvira, perto da fronteira com Burundi, em uma escalada que ficou entre as maiores dos últimos meses. A presença rebelde perto da fronteira continua sob observação internacional.
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