Javier Solana recorda Ali Lariyaní como negociador duro, mas racional, em décadas de relação próxima entre a União Europeia e o regime iraniano. O ex-chefe da diplomacia europeia, hoje com 83 anos, relembra encontros de 2003 a 2007, quando ainda tratava do programa nuclear do Irã.
Solana, que atuou como Alto Representante da UE para a Política Exterior entre 1999 e 2009, descreve Lariyaní como alguém sofisticado, com uma formação familiar influente. Os dois se reuniram cerca de uma dezena de vezes, em cidades como Roma, Madrid, Istambul e Teerã, sempre em tom decidido.
O político iraniano foi figura-chave no desenvolvimento do acordo nuclear que acabou consolidado em 2015, durante a gestão de outros interlocutores internacionais. Em 2007, porém, a disputa com o então presidente Mahmoud Ahmadineyad levou à saída de Lariyaní da posição de negociador-chefe.
Solana relembra que as negociações entre eles eram realizadas de forma direta, muitas vezes sem tradutores, e que as diferenças com o governo iraniano moldaram a trajetória dos acordos. O ex-chanceler destaca episódios em que o diálogo entre as partes foi decisivo para manter o canal aberto.
Ali Lariyaní morreu nesta semana em decorrência de um ataque atribuído às forças israelenses. O ex-negociador tinha 67 anos e deixava de ocupar cargo de alto escalão no aparato de segurança iraniano, segundo informações veiculadas pela imprensa internacional.
Trajetória e legado
A relação entre Solana e Lariyaní abriu caminhos para negociações futuras e influenciou decisões ocidentais sobre o Irã. O ex-diplomata recorda ainda que, ao longo das conversas, o interlocutor iraniano mostrava interesse pela esfera cultural de seu país, o que contrastava com a imagem de um líder rígido.
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