O fracasso agrícola de Cuba é evidenciado por dados da FAO/ONU de 2024, que com base no período 2014/2016 mostram a produção agrícola cubana em queda acentuada. O índice caiu de 100 para 48,4, enquanto o Brasil subiu para 127,2. Os números apontam para uma drástica retração do setor no arquipélago.
A trajetória da agricultura cubana envolve décadas de manejo centralizado e dependência externa. Após a revolução de 1959, o país viveu período de forte vínculo com a URSS, que absorvia açúcar cubano a preços elevados, ajudando a sustentar o modelo econômico.
Contexto histórico
Com a dissolução da URSS, em 1991, Cuba enfrentou a realidade econômica sem seu principal parceiro. Entre 1989 e 1994, a produção agropecuária caiu cerca de 54%. Diante da crise, o governo abriu pequenos espaços de comercialização direta de excedentes aos cidadãos, ainda que tardiamente.
Reformas e tentativas de mudança
Em 2008, com a doença de Fidel Castro, Raul Castro assumiu a liderança e destacou medidas para a agropecuária, incluindo a promoção de hortas urbanas e a ênfase na agricultura agroecológica apoiada pela mão de obra familiar. A imprensa internacional recebeu com otimismo o modelo, ligado à ideia de segurança alimentar.
Apesar das promessas, os resultados foram contestados. Relatos indicaram pouca progressão entre novos camponeses e produtividade estagnada, enquanto as importações de alimentos cresceram. Dados que ajudam a entender a persistente vulnerabilidade alimentar cubana.
Perspectivas e exemplos internacionais
Em 2012, durante o 8º Congresso do Partido Comunista, Raul Castro anunciou 63 medidas para reativar a produção agropecuária, incluindo mais autonomia para a venda de carne e leite. Ainda assim, a crise persistiu, com sinais de que o modelo não teria golpe definitivo na prática.
Degradação de setores tradicionais
Entre 1959 e hoje, o setor canavieiro cubano também recuou. Enquanto o país chegou a produzir cerca de 8 milhões de toneladas de açúcar, hoje a produção fica perto de 400 mil toneladas, refletindo a queda de competitividade histórica.
Energia, comércio externo e dependência
A decisão dos EUA de intervir na Venezuela afetou o fornecimento de energia para Cuba. Sem petróleo, a economia enfrentou novos entraves e faltas de recursos para fomentar produção interna, agravando a situação de insegurança alimentar no país.
O que sobrou
Dentre várias atividades, a indústria de tabaco permanece estável, com a produção de charutos ainda reconhecida no mercado internacional. Mesmo assim, a maior parte da economia agrícola continua dependente de fatores externos e de políticas que não conseguiram reverter o cenário de fragilidade alimentar.
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