Sarah Mullally tornou-se nesta quarta-feira a primeira mulher a ocupar o cargo de arcebispo de Canterbury, líder espiritual da Igreja da Inglaterra. A cerimônia ocorreu na Catedral de Canterbury, diante de cerca de 2 mil convidados, entre eles o príncipe William, Kate Middleton e o premiê Keir Starmer. Mullally assumiu o cargo ao se sentar na cadeira de Santo Agostinho, símbolo histórico da função desde o século XIII.
A ex-enfermeira, de 63 anos, chegou à tribuna usando uma mitra dourada. Um coral feminino africano participou do serviço, que incluiu momentos de canto e dança. Em seu primeiro sermão, Mullally pediu que a paz prevaleça em regiões afetadas por conflitos, incluindo Oriente Médio, Ucrânia, Sudão e Mianmar. Ela declarou estar pronta para iniciar seu ministério.
A nomeação, anunciada em outubro, ocorreu em meio a críticas de grupos conservadores dentro da Igreja Anglicana, especialmente em África e Ásia. Nesse mês, houve mudança de planos: a ala conservadora deixou de buscar uma liderança paralela e aceitou um novo conselho dentro da instituição. A decisão sinaliza uma mudança relevante na vida da igreja, segundo o bispo Philip Mounstephen.
Desdobramentos e contexto
A comunidade anglicana enfrenta tensões entre visões progressistas e conservadoras, principalmente sobre liderança feminina e LGBTQ+. Em Canterbury, Mullally recebeu apoio de autoridades religiosas e políticos, embora fronteiras doutrinárias permaneçam onde existem divergências. O papel do arcebispo, embora simbólico, é exercido por meio de persuasão, diferente da autoridade central do papado.
Mullally destacou a importância da unidade na diversidade, afirmando que a Igreja global reúne uma grande variedade de perspectivas. O evento, ocorrido na Festa da Anunciação, refletiu o alcance internacional da Igreja Anglicana, com leituras em múltiplos idiomas. A cerimônia também incluiu referências históricas, como o vínculo entre anglicanos e católicos, simbolizado pelo anel legado por um de seus antecessores.
Entre na conversa da comunidade