Maria Kalesnikava, ativista da oposição bielorrussa, foi libertada em 13 de dezembro de 2025, após mais de cinco anos na prisão. Em Berlim, ela recebeu o Prêmio Charlemagne em 14 de março, no ano em que retornou ao formato presencial, dois meses antes de falar sobre o futuro do país.
Em entrevista à Euronews, a ativista alertou para o aumento da influência russa em Bielorrússia. Ela afirma que sanções ocidentais aproximaram Minsk de Moscou e que a relação estreita com Putin pode comprometer a soberania bielorrussa.
Contexto político
O presidente Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, é próximo a Putin. Autoridades russas usaram território bielorrusso para a invasão da Ucrânia iniciada em 2022, com Minsk não participando ativamente no conflito.
Em dezembro de 2025, Moscou e Minsk realizaram um exercício com 12 mil soldados na fronteira com a Polônia, elevando temores de recrutamento mobilizado e de envio de mísseis com capacidade nuclear para Bielorrússia.
As consequências da repressão
Em 2020, Kalesnikava, Sviatlana Tsikhanouskaya e Veronika Tsepkalo lideraram as manifestações contra Lukashenko. O pleito de agosto daquele ano foi visto como fraudulento por muitos, gerando prisões em massa e violência.
Kalesnikava foi detida em setembro de 2020 e condenada a 11 anos por suposta conspiração para tomar o poder. A ativista não recua de suas posições mesmo diante da prisão.
Liberdade condicionada e perspectivas
A libertação veio após acordo mediado pelos EUA, envolvendo a libertação de 123 prisioneiros políticos em troca de facilitação de sanções ao setor de potássio. Mais de 1.200 detidos permanecem sob condições duras, segundo a organização Viasna.
Kalesnikava ressaltou a importância do diálogo para avanços democráticos. Ela destacou que, para manter o espaço cívico, é necessário manter canais de comunicação com Lukashenka, sem sinalizar aceitação.
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