A Rússia designou Pavel Talankin, ex-cinegrafista de escola, como agente estrangeiro após o documentário Um Zé Ninguém Contra Putin ter vencido o Oscar de melhor documentário neste mês. O anúncio ocorreu na lista online do Ministério da Justiça.
O filme, produzido por Talankin e David Borenstein, utiliza dois anos de imagens gravadas na região de Chelyabinsk, na Rússia, para mostrar como alunos foram expostos a mensagens pró-guerra. A obra gerou polêmica entre opositores de Putin.
Talankin deixou a Rússia em 2024. Ele defendeu o filme como registro histórico, afirmando que revelou como uma geração se tornou raivosa e agressiva, e, ao receber o Oscar, pediu o fim das guerras.
Pessoas rotuladas de agentes estrangeiros enfrentam burocracia onerosa e restrições de renda. Também devem inserir a etiqueta de agente estrangeiro em publicações e conteúdos divulgados na Rússia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse após a cerimônia do Oscar que não assistiu ao filme e não poderia comentar sobre ele. A declaração foi feita sem mencionar preocupações com o material exibido.
Controvérsia e consequências
O termo agente estrangeiro carrega conotações de espionagem na Rússia e costuma ser usado para associar atividades anti-Rússia a influências externas. O Ministério da Justiça mantém a lista como ferramenta regulatória.
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