Um erro de ortografia em uma mensagem de WhatsApp deu início a uma investigação que revelou um caso de tortura e assassinato na província de Entre Ríos, na Argentina, com a prisão de dois suspeitos. As informações são do jornal argentino Clarín.
Em 1º de setembro, o arquiteto Rodolfo Augusto Bassi, de 61 anos, conversou com um casal até as 16h e, depois disso, parou de responder às mensagens. Ninguém mais teve notícias dele.
Ao longo da tarde, a irmã do arquiteto tentou entrar em contato com ele para saber como havia sido seu dia. Ela sabia que Rodolfo precisava supervisionar a obra de um apartamento, mas não sabia qual.
Chamada de “Moni” na mensagem, ela recebeu pelo WhatsApp “Hola, estoy bolviendo de Rosario, Moni. Nos hablamos”. O erro ortográfico chamou atenção porque “bolviendo” não existe em espanhol, mas soa exatamente como “volviendo”, já que as letras “b” e “v” não têm diferença fonética no idioma. Foi esse detalhe que despertou a suspeita de que não era Rodolfo quem escrevia.
No dia seguinte, a família formalizou a denúncia e as buscas foram iniciadas. Após percorrer diversos imóveis nos quais o arquiteto trabalhava, a polícia encontrou o apartamento onde estava o corpo de Rodolfo, amarrado a uma cadeira.
O relatório preliminar da autópsia apontou cortes compatíveis com tortura e uma fratura no crânio causada por golpe com objeto contundente. A polícia apreendeu uma marreta, possível arma do crime, e encontrou vestígios de uma faca tipo Tramontina no local.
Milei ameaça sancionar petrolíferas nas Malvinas; Reino Unido rebate
Identificação dos suspeitos
Os investigadores analisaram câmeras de segurança, identificaram um carro e entrevistaram operários e pessoas próximas à vítima. Fontes da investigação disseram ao Clarín que a hipótese inicial já apontava para um pedreiro, mas sem saber quem seria.
O pedreiro Carlos Gastón Aguilar, de 48 anos, chegou a uma entrevista com a polícia dirigindo um carro do mesmo modelo de um veículo visto estacionado na saída do apartamento. Ele fazia manutenção habitual nas propriedades do arquiteto. Apesar de não admitir ter estado no local, foi preso como suspeito do crime.
Meta testa ferramenta de checagem de fatos em 16 países da América Latina
Horas depois, a polícia identificou o outro pedreiro envolvido no caso, Claudio Ramón Inofre, de 52 anos, que também trabalhava com Rodolfo. Localizado em um ônibus com destino a Misiones, ele foi interceptado pouco antes da meia-noite no último posto de controle provincial e detido, com um celular e documentos da vítima em seu poder.
Os dois suspeitos foram indiciados e se recusaram a depor. O juiz concedeu prisão preventiva por 60 dias. Nenhum dos dois tinha antecedentes criminais por outros delitos, o que surpreendeu os investigadores. O motivo do crime ainda não está claro.
Entre na conversa da comunidade