O conflito envolvendo o Irã está interrompendo o abastecimento de combustível e de navios, prejudicando operações humanitárias na África. O volume de remessas e a entrega de insumos de saúde passaram a enfrentar atrasos e aumentos de custos, ampliando a vulnerabilidade de milhões de pessoas. Organizações de ajuda alertam para consequências profundas.
O International Rescue Committee (IRC) aponta que o aumento dos preços do combustível, os atrasos no transporte e as interrupções logísticas, ligadas ao conflito no Irã e ao Estreito de Hormuz, colocam em risco serviços vitais. A crise logística se soma a cortes de financiamento ocorridos no ano passado.
Na prática, hospitais, ambulâncias e cadeias de suprimentos enfrentam pressões. O IRC destaca que o combustível, essencial para o funcionamento de unidades de saúde, torna-se mais escasso e caro, impactando a resposta humanitária.
Impactos por país
Na Nigéria, o preço do combustível subiu quase 50%, elevando o custo de funcionamento de geradores que alimentam clínicas e forçando equipes móveis de saúde a reduzir cobertura. No Sudão, suprimentos farmacêuticos de US$ 130 mil para cerca de 20 mil pessoas ficaram retidos em Dubai.
Na Somália, insumos de alimento terapêutico de uso imediato para desnutrição infantil estão retidos na Índia devido a atrasos logísticos, colocando mais de 1.000 crianças em risco. Em Kenia, cortes de diesel afetam acampamentos de refugiados Kakuma e Dadaab, reduzindo serviços médicos e de ambulância.
Outros países da região, como Etiópia, Uganda e RD Congo, enfrentam ficções semelhantes: escassez de combustível eleva custos operacionais e limita a mobilidade de equipes de campo. Consequências diretas incluem interrupção de cuidados e de assistência básica.
Contexto e apelos
O atraso nas rotas de entrega, com navios desviando pelo Cabo da Boa Esperança, pode levar semanas extras de viagem e elevar custos. O IRC alerta que há US$ 130 mil em suprimentos farmacêuticos retidos em Dubai destinados ao Sudão.
Especialistas destacam que famílias já afetadas por conflito, deslocamento e desastres climáticos devem enfrentar aumento de preço de alimentos e fertilizantes, reduzindo opções de sobrevivência. A organização pediu respeito ao direito humanitário e financiamento flexível.
A instituição também ressalta que, globalmente, o financiamento humanitário recuou mais de 60% no último ano, agravando a capacidade de resposta a choques. Estima-se que, até meados de 2025, fundos cobririam apenas parte das necessidades.
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