Ben Roberts-Smith, o soldado australiano mais condecorado, foi preso nesta terça-feira (7) em Sydney, acusado de cinco crimes de guerra envolvendo mortes de civis desarmados no Afeganistão entre 2009 e 2012. A detenção ocorreu ao chegar ao Aeroporto de Sydney, segundo a Polícia Federal Australiana.
A acusação sustenta que as vítimas não participavam de hostilidades quando mortas e estavam sob controle de membros das Forças de Defesa da Austrália, com o próprio Roberts-Smith ou subordinados agindo sob suas ordens. Cada crime pode levar à pena máxima de prisão perpétua.
Roberts-Smith teve a fiança negada e aguarda audiência marcada para quarta-feira (8). O ex-membro das Forças de Defesa, hoje com 47 anos, foi premiado com a Cruz Vitória por ações durante seis missões no Afeganistão, entre 2006 e 2012, e há décadas era visto como herói nacional.
Contexto e desdobramentos
Um relatório de 2020 apontou que integrantes do Regimento SAS teriam assassinado dezenas de prisioneiros desarmados no Afeganistão. A investigação envolvendo Roberts-Smith teve origem em 2021, conduzida pela Polícia Federal Australiana e pelo Office of the Special Investigator (OSI).
Ross Barnett, diretor de investigações do OSI, destacou a dificuldade do caso, uma vez que não há acesso aos locais dos supostos crimes no Afeganistão para recolher evidências físicas no local. A apuração já investigou 53 casos de crimes de guerra envolvendo militares australianos, com 10 ainda em andamento.
A Anistia Internacional classificou a prisão como um marco para responsabilização internacional, ressaltando a necessidade de que as autoridades conduzam investigações completas e levem os responsáveis à Justiça quando cabível. Roberts-Smith viajava acompanhado da namorada e de duas filhas adolescentes no momento da prisão.
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