Dois ataques, ocorridos no Domingo de Páscoa, 5 de abril, atingiram comunidades cristãs na Nigéria, deixando mortos, feridos e dezenas de sequestrados. Os ataques ocorreram nos estados de Kaduna e Benue, mobilizando autoridades locais e moradores.
Em Kaduna, moradores relataram que homens armados invadiram Ariko, no condado de Kachia, durante cultos. Fiéis de igrejas evangélicas e católicas foram atingidos por disparos; ao menos 12 pessoas morreram e várias ficaram desaparecidas. Testemunhas disseram que as ações ocorreram de forma coordenada em diferentes templos. O grupo envolvido foi descrito como numeroso.
No Benue, o ataque atingiu a aldeia de Jande, no condado de Gwer East, na mesma data. Ao menos 17 cristãos morreram e moradores relataram diversos disparos, explosões e destruição de residências. Várias pessoas continuam desaparecidas, possivelmente sequestradas pelos aggressor(es). O governador Hyacinth Alia classificou o episódio como hediondo.
Contexto e dados
Relatos citam que parte da violência envolve milícias armadas associadas a ideologias extremistas, embora a maioria dos fulanis não compartilhe dessas posições. Estudo do APPG aponta adoção de táticas similares às de Boko Haram e ISWAP por alguns grupos, com foco em ataques a comunidades cristãs. Dados da Portas Abertas situam a Nigéria como o país com o maior número de mortes de cristãos, entre 2024 e 2025, com 3.490 óbitos, cerca de 72% do total global.
Líderes locais destacam que disputas por terra e recursos naturais agravam o cenário, sobretudo em áreas afetadas pela desertificação. A presença de grupos armados em regiões com controle estatal limitado eleva ataques, sequestros e deslocamentos. Autores locais têm enfatizado a necessidade de cooperação entre forças de segurança e comunidades para prevenir novas ocorrências.
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