Benjamin Brière, ex-prisão na Iran, afirmou que a libertação não encerrou seu calvário. Ao retornar à França, enfrentou problemas administrativos, fiscais e de reintegração, com pouca ajuda do Estado.
O francês, natural de Lyon, ficou 1.079 dias detido no Irã e foi liberado em 2023. Em 2022 recebeu condenação de oito anos e oito meses por espionagem e propaganda contra o regime iraniano. A devolução ao país não trouxe suporte institucional, segundo ele.
Ao retornar, descobriu que havia sido removido de sistemas públicos como a seguridade social e o France Travail, a agência de emprego. Lançou mão de longos trâmites para reaver direitos, incluindo com a Receita Federal.
Desafios administrativos
Segundo Brière, houve questionamento sobre por que não havia declarado impostos nos quatro anos de detenção. O relato mostra falha de compreensão sobre a experiência de quem ficou privado de liberdade.
Durante o primeiro ano no Irã não houve comunicação com a família. No segundo, apenas 15 minutos de telefonema a cada quatro a seis semanas. Para ele, impostos não eram prioridade diante das dificuldades vividas.
O caso exigiu apoio financeiro de familiares, pois não havia renda para alimentação, moradia ou cuidado psicológico. Mesmo com benefícios, houve batalha administrativa para acesso aos recursos disponíveis.
A resolução veio após intervenção direta de um parlamentar com o Ministério do Trabalho. Brière também destaca o peso sobre as famílias de reféns no exterior.
Proposta de mudança
Colaborando com a ONG SOS Otages, o ex-prisioneiro pediu criação de um status jurídico específico para ex-reféns franceses. Também defende uma indenicação temporária para cobrir custos básicos durante a reintegração.
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