O papa Leão XIV chega a Camarões em meio a uma crise marcada pela atuação de jihadistas, tensões étnicas e questões políticas internas. O encontro ocorre em um país onde o presidente Paul Biya tenta consolidar mandatos longos e enfrenta protestos e violência.
Bi yan, que governa desde 1982, tem 93 anos. Sua passagem pelo poder começou após a renúncia de Ahidjo, com eleições de 1984 disputadas e vitória folgada. O regime tem contestação de opositores, com denúncias de irregularidades e fraudes nas votações.
O papa chegou nesta quarta-feira e é o terceiro pontífice a visitá-lo, seguindo João Paulo II e Bento XVI. Em 4 de abril, Biya aprovou uma emenda que reintroduz o cargo de vice-presidente, para ser indicado pelo chefe de Estado.
O país encara a insatisfação nas regiões anglófonas, que pedem maior autonomia, e ataques de jihadistas do Boko Haram e do Iswap no Norte. Conflitos deixaram milhares de mortos, milhões de deslocados e uma forte pressão sobre serviços públicos.
Portas abertas aponta alta perseguição aos cristãos, ocupando a 37ª posição no ranking global de 2026. Fatores locais como clãs, corrupção e fragilidade estatal agravam a vulnerabilidade, com risco a denunciantes e líderes religiosos.
Cerca de 57% da população é cristã, sendo 38,3% católica. A Igreja atua fortemente na educação e na saúde, mantendo centenas de escolas e hospitais, especialmente em áreas rurais onde o Estado tem atuação limitada.
A rede escolar católica reúne quase 468 mil alunos, com mais de 20 mil docentes. Na saúde, cerca de 600 estruturas geridas pela Igreja atendem mais de dois milhões de pessoas anualmente, com laboratório humano e foco na dignidade.
Fonte: La Nuova Bussola Quotidiana. O texto original em italiano aborda a conjuntura camaronense entre ditadura, guerra civil e jihadismo.
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