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Conflito eleva temor de desemprego e pobreza no Irã

A continuação da guerra eleva desemprego e pobreza no Irã, com fábricas paralisadas e centenas de milhares de trabalhadores sem renda

Continuação da guerra no Irã é o principal fator de pressão sobre trabalhadores, professores e assalariados em geral
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A guerra no Irã, em seis semanas de bombardeios, agrava a crise econômica. Fábricas paralisam a produção e atingem centenas de milhares de trabalhadores. Mais de 93 milhões de iranianos vivem sob a sombra do conflito, com risco de piora rápida.

Após a suspensão temporária das negociações entre EUA e Irã no Paquistão, Washington bloqueou o Estreito de Ormuz. A medida visa reduzir receitas de exportação de petróleo de Teerã e impedir o pedágio pela passagem estratégica.

Segundo Ismail Abdi, sindicalista iraniano, a pressão se estende à classe trabalhadora. Ele relata sofrimento quando fábricas fecham ou reduzem atividades, atingindo trabalhadores terceirizados, diaristas e informais.

Montante humano e econômico

A situação envolve uma economia já fragilizada por má gestão, corrupção e sanções. O governo estima danos da guerra em cerca de 229 bilhões de euros (R$ 1,7 trilhão), em estimativa preliminar, divulgada pela porta-voz Fatemeh Mohajerani.

A indústria siderúrgica sofreu forte abalo. A Mobarakeh, em Isfahan, fechou após ataque conjunto dos EUA e de Israel, afetando o fornecimento para setores automotivo, naval, químico e construção.

Na prática, milhares de trabalhadores foram mandados para casa. Estima-se que pelo menos 10 mil sejam diaristas na siderúrgia, com desdobramentos para cadeias de suprimento locais.

Impactos setoriais e mudanças no emprego

Ataques a petroquímicas em Asaluyeh, Mahshahr e Shiraz provocam paralisações e demissões. Em Mahshahr, com mais de 30 mil empregos, demissões rápidas e cortes salariais já são observados, segundo analistas.

Especialistas estimam que a reconstrução de grandes complexos industriais levaria anos, exigindo tecnologia, capital e peças importadas, dificultadas pelas sanções. O efeito ampliado atinge fornecedores e o comportamento de consumo.

A redução de empregos já se reflete na pobreza. Em 14 de abril, a Ilna demitiu seus jornalistas, classificando-os como autônomos. Outros setores, como serviços digitais, cortam pessoal diante da queda de demanda.

Perspectivas e desdobramentos

A guerra tende a frear renda real e aumentar vulnerabilidade social, segundo o sindicalista Abdi. Ele alerta que a situação pode transformar trabalhadores recém-formados em mão de obra mais precarizada, com menos qualificação.

O conflito já provocou impactos humanos significativos. Entre 28 de fevereiro e 8 de abril, Hrana contabilizou 3.636 mortes no Irã, das quais 1.701 civis, incluindo 254 crianças.

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