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Autores sul-coreanos superam o ódio e viram bestsellers

O aumento de escritoras sul-coreanas impulsiona uma revolução silenciosa na literatura, com prêmios, espaços de leitura e alcance internacional

Author Eunyu says the rise of female writers is akin to a "slow - but sure - revolution"
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A ascensão de escritoras sul-coreanas ganha espaço no cenário literário, em meio a críticas e ódio online. O lançamento do memoir de Seen Aromi, So What if I Love My Single Life!, em 2024, tornou-se best-seller e provocou debates sobre casamento e independência. Mulheres de várias idades e situações de vida leram a obra e reconheceram a mensagem de autonomia.

O movimento de voz feminina se intensifica no país, com espaços comunitários como guelbang, coados para despertar discussões e aprendizado de escrita. Autoras destacam que a experiência coletiva ajuda a transformar relatos de violência e discriminação em surgimento de novas perguntas.

Seen Aromi, que vive em Gyeonggi-do, comprou uma casa no interior e escolheu não casar nem ter filhos. Seu livro, segundo leitores, inspira decisões próprias e reforça a ideia de que a felicidade pode vir sem padrões tradicionais.

Na cena editorial, a repercussão foi ampla: houve traduções para o exterior e um acordo de seis dígitos com a Penguin para a autora. As traduções de obras sul-coreanas passaram a crescer, refletindo o interesse global pela cultura do país.

Essa ebulição literária se tornou tema de prêmio. Este ano, as mulheres venceram pela primeira vez em todas as categorias do Yi Sang Awards, ampliando a presença de vozes femininas na literatura sul-coreana.

Espaços de aprendizagem e participação

Em Daejeon, cerca de 50 mulheres participaram de uma palestra da autora Ha Mina, em uma antiga igreja, evidenciando a busca por espaços seguros para ler e debater. Ha Mina descreve as oficinas como ambientes onde erros viram crescimento.

A participação em cursos de escrita, especialmente ministrados por mulheres, aparece como fator de empoderamento. Muitas mulheres que começaram como alunas passaram a se tornar escritoras, segundo Eunyu, autora que criou uma sala de escrita em 2011.

Em relatos de leitoras, as oficinas ajudam a resgatar a autoestima e permitem discutir temas sensíveis, como violência sexual, discriminação e desejos. A dança entre individualidade e comunidade aparece como motor de mudanças.

O movimento retrata uma resposta a campanhas anti-feministas que surgiram durante anos, com ataques a figuras públicas e à cultura pop. As guelbangs, diz Ha Mina, oferecem espaço para diálogo, suster julgamentos e promover a liberdade de expressão.

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