O papa Leão XIV denunciou neste sábado (18) as “catástrofes sociais e ambientais” ligadas a uma lógica de exploração das riquezas materiais, durante o primeiro dia de sua visita a Angola. A fala ocorreu no Palácio Presidencial de Luanda, diante de autoridades, na abertura de sua estadia no país africano.
O pontífice mencionou que interesses poderosos controlam riquezas, causando sofrimento, mortes e impactos sociais e ambientais. Disse ainda que, embora haja um modelo de desenvolvimento que exclui segmentos da população, ele se apresenta como único caminho possível.
Angola, com vastos recursos naturais, enfrenta acentuadas desigualdades: cerca de um terço da população vive na linha da pobreza internacional. Em tom direto, o líder católico pediu coragem para não temer a dissidência e para ouvir jovens, bem como respeitar as visões dos mais velhos.
Leão XIV ressaltou que Angola pode crescer muito, se quem detém o poder acreditar na diversidade de suas riquezas. Incentivou autoridades a priorizar o bem comum acima de interesses partidários e a valorizar a diversidade do país.
A visita faz parte de uma maratona de 11 dias pela África. No percurso inicial, o papa percorreu ruas de Luanda em papamóvel, recebendo cumprimentos de fiéis ao longo do trajeto sob o calor da tarde.
Em discurso falado em português diante do presidente angolano João Lourenço, de membros da sociedade civil e do corpo diplomático, o líder da Igreja Católica reforçou que Angola possui tesouros que não devem ser vendidos nem roubados, defendendo uma harmonia social que não seja violada pela arrogância de poucos.
O papa também destacou que o continente precisa superar conflitos que fragilizam o tecido social e político, contribuindo para a pobreza e a exclusão. A fala enfatiza a insistência em respeito às populações e aos direitos humanos no contexto de exploração de recursos.
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