Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da Polícia Federal, foi alvo de uma ordem do governo dos Estados Unidos para deixar o país. A medida ocorreu após sua atuação na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), na semana passada, em território americano. Carvalho atuava como oficial de ligação da PF nos EUA, vinculando-se ao ICE.
O pedido foi publicado publicamente pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado, em X. O órgão acusou a atuação de Carvalho de tentar manipular o sistema de imigração para contornar pedidos de extradição e atribuiu a ele a intenção de estender perseguições políticas no território norte-americano. A PF e o Itamaraty não divulgaram posição oficial ainda.
Carvalho esteve nos EUA desde agosto de 2023, com base em Miami, coordenando a cooperação entre Brasil e EUA em investigações transnacionais e operações migratórias, atuando diretamente nas instalações do ICE. Segundo fontes, ele era o único delegado brasileiro designado para trabalhar nas dependências do órgão americano.
Na carreira, o delegado ingressou em 2003 e ocupou cargos de destaque, incluindo uma gestão como delegado regional de investigação e combate ao crime organizado em São Paulo (2018-2021) e, mais tarde, a superintendência da PF na Paraíba (2022-2023). Em 2023 foi designado à missão internacional nos EUA.
O que levou à decisão
A PF afirma que Carvalho estava cumprindo uma missão oficial de colaboração com autoridades americanas. O governo dos EUA, porém, não detalhou motivos adicionais públicos para a saída compulsória. A medida ressalta tensões entre Brasil e EUA sobre cooperação em segurança e migração.
Repercussões diplomáticas
O caso traz à tona os limites da atuação de autoridades estrangeiras dentro do sistema legal americano. Ainda não houve pronunciamento público das autoridades brasileiras sobre o episódio. A situação acompanha uma etapa de ajustes na relação bilateral.
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