Na noite de 6 de abril, a comunidade judaica de Teerã participou de um serviço de Páscoa na sinagoga Rafi’ Nia, mesmo com ataques aéreos liderados pelos EUA e Israel em território iraniano. O encontro ocorreu no centro de Teerã, em um salão dim, decorado com tapetes persas e cortinas verde-menta. A sinagoga foi destruída na sequência dos bombardeios, ainda na manhã seguinte.
A cerimônia foi realizada com os fiéis mantendo tradições antigas, incluindo a leitura de trechos da Torá. A expectativa de paz contrapunha o risco de guerra, dizem membros da comunidade. Um veterano da congregação relatou que o objetivo era não deixar que o conflito interrompesse a prática religiosa.
No dia seguinte à missa, a construção ficou reduzida a escombros. Não houve feridos graves; apenas um funcionário estava na sede no momento da explosão. A avaliação inicial apontou que a destruição ocorreu como dano colateral a um ataque que mirava um comandante, segundo temperamentos das forças envolvidas.
O impacto atingiu também a comunidade iraniana, que representa o maior grupo judeu fora de Israel, com profundas raízes históricas. Parlamentares locais e líderes da comunidade expressaram luto pela perda de parte do patrimônio religioso, bem como indignação com o ataque.
Histórica e demograficamente, o judaísmo em Irã possui cerca de 30 sinagogas ativas e escolas ligadas a uma presença que data de milênios. A relação entre o governo iraniano e o Estado de Israel é tensa, mas o governo afirma que o conflito é político e não religioso.
Analistas estrangeiros destacam que a tensão entre Irã e Israel envolve múltiplos fatores geopolíticos, incluindo a oposição a políticas de ambos os lados. Em Teerã, a reação entre membros da comunidade judaica oscila entre o medo e a determinação de manter tradições e presença local.
Pesquisadores e jornalistas que acompanham o tema lembram que, após a revolução de 1979, parte da população judaica migrou ou permaneceu sob restrições. Hoje, relatos indicam que muitos preservam identidades dual, iraniana e judaica, convivendo em espaços comunitários em Teerã, Isfahan e Shiraz.
A comunidade ressalta a necessidade de proteção de locais de culto e de respeito às tradições, apesar da violência em curso na região. O episódio de Teerã é visto como parte de um conflito mais amplo, que afeta populações civis e patrimônios culturais.
Fonte: The Guardian.
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