O papado de Avignon, registrado como exílio do Papa, ocorreu há cerca de 700 anos e resultou em décadas de turbulência na Igreja. Pontífices abandonaram Roma e se estabeleceram em Avignon, no sul da França, em meio a pressões políticas, guerras e disputas internas. O episódio ficou conhecido como o cativeiro da Babilônia.
O movimento teve início com Bonifácio VIII, que defendeu autoridade papal sobre governantes seculares diante da cobrança de impostos para guerras. Filipe IV da França resistiu, levando à captura de Bonifácio em Anagni e ao fim de seu pontificado em débeis condições. O choque desorganizou a instituição e abriu espaço para conflitos internos.
Reagrupamento e mudança de sede marcaram o período. Bertrand de Got, que adotou o nome Clemente V, aceitou ser coroado em Lyon e, em 1309, transferiu a corte papal para Avignon. A França passou a exercer influência decisiva sobre a liderança, reforçada pela quase totalidade de cardeais franceses escolhidos sob esse regime.
O deslocamento permanente teve efeitos profundos. A autonomia do Vaticano ficou sob pressão, e a administração papal fortaleceu controles sobre bispos e rendas, inclusive para fins militares. Ao mesmo tempo, conflitos italianos ameaçaram os domínios papais na região.
A situação se agravou com a eleição de papas rivais após a morte de Clemente V. Cristiano de Gôt ficou no poder em meio a impasses, levando ao surgimento do Grande Cisma do Ocidente, com três papas disputando a legitimidade entre Roma e Avignon.
O cisma só foi encerrado em 1417, com Martinho V após o Concilio de Constança. A era de Avignon ajudou a consolidar a noção de que decisões conciliares podiam limitar a autoridade papal, inaugurando debates sobre organização e controle institucional da Igreja.
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