Um projeto de incineração de lixo em Fiji, com foco em transformar resíduos em energia, enfrenta resistência de moradores, autoridades e especialistas. O plano envolve a construção de um porto e de um incinerador a menos de 15 km de Nadi, porta de entrada do turismo no arquipélago. O orçamento é de US$ 630 milhões e a previsão é consumir 900 mil toneladas de lixo não reciclável por ano. A proposta afirma que permitiria atender cerca de 40% da demanda elétrica nacional, reduzindo a dependência de diesel.
Segundo estudos de impacto ambiental apresentados pela empresa TNG, a iniciativa pode elevar as emissões de gases de efeito estufa do país em cerca de 25%. A avaliação aponta riscos para o ecoturismo e para a segurança de comunidades nas proximidades, que incluem hotéis e escolas. Moradores tradicionais destacam a importância da região para a pesca e o turismo local.
Reação local e contexto
Empresários australianos envolvidos, Ian Malouf e Rob Cromb, vêm tentando viabilizar o projeto há anos. Cromb teve encontros com comunidades para esclarecer o plano, mas reconhece preocupações com segurança ambiental, transparência e a dimensão da proposta. Há quem afirme que o projeto pode desvalorizar a imagem internacional de Fiji.
Em redes sociais, o embaixador de Fiji junto à ONU, Filipo Tarakinikini, afirmou que não se deve transformar a costa de Vuda, ao norte de Nadi, em “cinzeiro do Pacífico”. Tarakinikini alertou para contaminação da cadeia alimentar por cinzas e dioxinas, classificando o empreendimento como “colonialismo do desperdício”.
Contexto regulatório e próximos passos
Relatos apontam que, no passado, a ideia de incinerador semelhante em Sydney foi rejeitada em 2018 por riscos à saúde humana. O governo de Fiji segue analisando impactos e alternativas, enquanto autoridades destacam impactos potenciais no turismo local. O ministério do Turismo enfatiza que a implantação pode afetar a percepção turística da região.
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