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Suprema Corte dos EUA julga futuro de ações ambientais contra petrolíferas

Decisão pode atingir cerca de 40 processos que acusam empresas de ocultar riscos dos combustíveis fósseis

Suprema Corte dos EUA
Suprema Corte dos EUA (Créditos: Creative Commons)

A Suprema Corte dos Estados Unidos começou a analisar nesta segunda-feira (5) um processo que pode influenciar o futuro de dezenas de ações contra grandes companhias petrolíferas. As empresas são acusadas de contribuir para o aquecimento global e de ocultar ou minimizar os riscos ligados ao uso de combustíveis fósseis.

Conhecido como Suncor contra Boulder, o litígio começou em 2018, quando a cidade e o condado de Boulder, no Colorado, processaram a ExxonMobil e a Suncor Energy, alegando que “causaram e contribuíram conscientemente para a alteração do clima”, enquanto “ocultavam e/ou distorciam os perigos” de seus produtos.

A Suncor opera uma refinaria no Colorado, enquanto a ExxonMobil mantém vínculos estreitos com esse estado das Montanhas Rochosas.

Os autores da ação afirmam ter sofrido prejuízos de centenas de milhões de dólares devido a incêndios florestais, inundações e outros fenômenos meteorológicos extremos decorrentes das mudanças climáticas associadas à queima de combustíveis fósseis.

Essa é uma das cerca de 40 ações semelhantes apresentadas por cidades, estados, povos indígenas e outras jurisdições locais, inspiradas em processos bem-sucedidos contra fabricantes de tabaco e opioides.

O governo do presidente Donald Trump apresentou uma manifestação pedindo à Suprema Corte que assumisse o caso, e os magistrados aceitaram.

A corte examina se a legislação federal – especificamente a Lei do Ar Limpo (Clean Air Act) – prevalece sobre as reivindicações de Boulder, se a Constituição impede esse tipo de ação e se pode analisar o caso antes de um julgamento.

Se os magistrados se concentrarem na possibilidade de analisar o caso antes de um julgamento, “isso basicamente adia o problema”, já que as questões mais amplas provavelmente seriam levantadas mais adiante, disse à AFP Katrina Kuh, professora de Direito Ambiental da Universidade Pace.

Uma decisão sobre as questões relativas à legislação federal, porém, seria importante para muitas ações pendentes.

“Poderia extingui-las por completo”, explicou Kuh.

Os magistrados também poderiam limitar seu alcance, permitindo, por exemplo, que o Colorado aplique sua legislação estadual apenas às emissões dentro do estado.

 

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