A Alemanha corre o risco de entrar em um conflito violento com a Rússia, alertou nesta segunda-feira (5) o chefe do serviço de inteligência externa do país. Ele afirmou ainda que Moscou trava uma “guerra na sombra” cada vez mais agressiva contra as democracias europeias.
“O confronto que estamos enfrentando com a Rússia assumiu uma dimensão nova e mais perigosa”, disse Martin Jaeger, chefe do Bundesnachrichtendienst (BND), na audiência pública anual que reúne os chefes de inteligência no Parlamento.
“A Alemanha corre o risco de se envolver em um conflito violento com a Rússia — a tentativa de ataque em Leipzig é apenas um exemplo”, afirmou Jaeger. Para ele, a ameaça de ataques contra alvos no território alemão continua “real e iminente”.
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As autoridades alemãs têm alertado repetidamente que a Rússia está conduzindo uma campanha híbrida de ataques com drones e cibernéticos, e a responsabilizaram por uma tentativa de ataque com drones ao aeroporto de Leipzig em agosto.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou na quinta-feira que a Rússia “não tem intenção de atacar ninguém… mas, se formos alvo de uma agressão, não teremos outra escolha a não ser responder”.
Para Jaeger, no entanto, Moscou está disposta a recorrer à força para atingir seus objetivos. Ele disse ainda que as ações da inteligência russa em território alemão e contra o país estão “cada vez mais agressivas”.
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“A Rússia está nos colocando à prova e observando de perto como lidamos com essa situação. Do ponto de vista da liderança do Kremlin, qualquer sinal de vacilação os incentiva a aumentar ainda mais a pressão sobre a Alemanha”, afirmou o chefe do BND.
Segundo Jaeger, não há sinais de que a Rússia esteja prestes a lançar um ataque em larga escala contra o território da Otan. “No entanto, a Rússia poderia se envolver em atividades militares de baixa intensidade, particularmente nos países bálticos.”
O chefe da inteligência alemã afirmou que o país precisa estar pronto para novas interferências e tentativas de intimidação, entre elas ameaças de ataque nuclear.
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“Moscou está apostando na nossa fraqueza”, acrescentou. “Temos que enfrentar isso.”
Jaeger disse que Moscou está tentando obrigar a Alemanha, o maior doador da Ucrânia, a retirar seu apoio. “A Rússia está determinada a colocar a Ucrânia de joelhos neste inverno que se aproxima”, disse ele. “Devemos esperar ataques russos com uma gravidade e brutalidade que ainda não vimos.”
Os serviços de inteligência da Alemanha devem receber novos poderes para realizar operações ativas com o objetivo de impedir ataques, caso o Parlamento aprove a nova legislação.
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Criados após a Segunda Guerra Mundial, quando as memórias do regime nazista ainda estavam frescas, os serviços alemães têm sido tradicionalmente mais restritos do que os de aliados como França, Reino Unido ou Estados Unidos.
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