In Warsaw, uma equipe de exilados de Belarus prepara a instalação Official. Unofficial. Belarus., para a Venice Biennale, sem performances, apenas artes visuais feitas por pintores, escultores e músicos. O projeto usa símbolos da repressão no regime de Lukashenko.
A obra reúne objetos como uma esfera de livros banidos e um campo de trigo de 90 cm, além de um enorme crucifixo com câmeras de vigilância. A pretensão é mostrar o cotidiano de detenção, censura e medo sob autoritarismo, conectando arte e memória de prisões.
Os criadores são Natalia Kaliada e Nicolai Khalezin, fundadores do Belarus Free Theatre. A filha Daniella Kaliada coordena a curadoria, em meio a uma equipe de artistas que trabalham em estúdio na zona oeste de Varsóvia.
Contexto
O projeto foi idealizado como uma resposta à repressão política em Belarus, país sob o controle de Alexander Lukashenko desde 1994. A instalação pretende expor também restrições digitais e a sensação de vigilância constante.
A intenção é que a peça seja apresentada como evento colateral na igreja Chiesa di San Giovanni Evangelista, já que não existe pavilion oficial para Belarus neste ano. O regime russo participa com pavilhão oficial, gerando críticas sobre legitimidade.
Na montagem, há referências à memória de prisões, torturas e desaparecimentos. Compondo a trilha sonora, Olga Podgaiskaya descreve composições gravadas para a obra, conectando o tema da violência estatal à experiência de quem vive no exílio.
Detalhes da produção
O projeto combina pintura, escultura, som e odor, incluindo um aroma que lembra um túmulo recém cavado, com flores apodrecidas. A culinária também marca o símbolo da obra, com uma criação de Rasmus Munk que pretende traduzir a detenção em sabor.
Daniella acompanha de perto a montagem, ajustando elementos como a aparência dos personagens mascarados para refletir diferentes forças de segurança. A equipe descreve a peça como uma rereleitura da história de Sísifo.
Os artistas belarussos envolvidos relatam perdas pessoais: a casa, o ateliê e muitos bens podem não retornar ao país. Ainda assim, afirmam que a produção avança com apoio de financiadores anônimos, parte dos quais são empresários do Belarus.
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