A China ordenou a reversão da compra da startup Manus pela Meta, dona do Facebook e Instagram. A ordem foi publicada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) na segunda-feira, 27 de abril, e envolve a transação avaliada em mais de US$ 2 bilhões. Pequim exige que as partes desfazem o acordo.
A Manus é uma startup de inteligência artificial autônoma criada em Wuhan pela Butterfly Effect, lançada em 2025. Diferentemente de chats como o ChatGPT, a Manus planeja navegar na web, manipular arquivos e gerar código sem supervisão humana. A empresa já superou modelos em testes internacionais de resolução de problemas.
Os fundadores, Xiao Hong e Ji Yichao, transferiram a Manus para Singapura após problemas com o governo chinês. A operação levou a demissões na China, fechamento de escritórios e bloqueio de acessos ao país. A equipe foi integrada aos escritórios da Meta em Singapura, com mais de 100 funcionários transferidos.
Repercussões e contexto
Pequim argumenta que a tecnologia, o talento e os dados da Manus têm origem chinesa, e que a mudança de sede não afeta a jurisdição sobre esses ativos. Em janeiro de 2026, o Ministério do Comércio chinês abriu investigação sobre conformidade do negócio com leis de exportação e investimento estrangeiro.
Em março, os fundadores foram convocados a Pequim pela NDRC e, após encontros, receberam a proibição de deixar o país. Desde então, não puderam participar das operações globais da Meta. O caso amplia o debate entre EUA e China sobre jurisdição de tecnologias desenvolvidas por talentos chineses fora do país.
A repercussão pode sinalizar risco regulatório maior para startups com vínculos chineses: regulações retroativas e controle sobre ativos intangíveis podem afetar acordos já concluídos. O tema é observado como indicativo de novas regras na disputa tecnológica entre as duas potências.
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