O tema do rearmamento europeu ganhou impulso, com planos que estendem investimentos a medida de defesa. O foco está na iniciativa ReArm Europe Plan/Readiness 2030, já em andamento, motivada pela percepção de risco do avanço russo após a invasão da Ucrânia.
A União Europeia pretende destinar até 800 bilhões de euros para novos sistemas e equipamentos militares. Os recursos devem vir, em boa medida, da flexibilização de regras fiscais entre os 27 estados-membros.
O objetivo central é ampliar a dissuasão e a defesa em terra, ar, mar, além de ciberespaço e espaço, segundo a Comissão Europeia. O documento reforça a responsabilidade pela segurança própria e pela capacidade de agir quando necessário.
Contexto estratégico
A decisão ganhou apoio após a retirada de investimentos de Washington na defesa europeia, o que acentuou o impulso pela auto-suficiência na defesa. A cooperação entre França e Reino Unido já era vista como eixo nuclear independente.
Na prática, países europeus aumentaram ou planejam ampliar seus gastos militares. A Alemanha projeta 108 bilhões de euros neste ano, com expectativa de chegar a 153 bilhões até 2029, sinalizando a maior força armada do continente.
França projeta cerca de 80 bilhões de euros anuais até 2030, enquanto a Polônia aponta 44 bilhões em 2026, mantendo um dos arsenais mais robustos da região. Esses números refletem compromissos nacionais dentro de um quadro europeu.
Panorama institucional e opinião pública
A Comissão Europeia apresentou, em outubro de 2025, um roteiro de prontidão para 2030, com ampliação da indústria de defesa e compras conjuntas de artilharia, munições e drones. Em novembro, houve medidas para reforçar a mobilidade militar.
No Parlamento Europeu, o tema gerou debates sobre supervisão democrática e sustentabilidade econômica. Ainda assim, a aprovação de uma estratégia de defesa a longo prazo ganhou apoio entre 2025 e 2026.
No Conselho Europeu, chefes de Estado apoiaram medidas para incentivar e simplificar investimentos em defesa, com regulamentação para priorizar programas-chave da UE nesse campo. A ideia é coordenar melhor os gastos.
Opinião pública e horizonte
Um estudo do European Policy Center indica que a defesa se tornou tema relevante para cidadãos da UE, em razão da guerra na Ucrânia e de ataques a infraestruturas. O Eurobarômetro mostra 80% a favor de maior cooperação e 77% favoráveis a uma política comum.
Ainda, 71% acreditam na necessidade de reforçar a produção de equipamentos militares e 80% defendem boa coordenação de compras entre Estados-membros. Os números refletem apoio generalizado ao reforço da defesa europeia.
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