O governo da República Democrática do Congo (DRC) pretende exportar 500 mil toneladas métricas de cobre para os Estados Unidos, um aumento considerável em relação aos 100 mil toneladas anunciados em janeiro pela estatal Gécamines SA. A decisão sinaliza a intenção de a DRC ampliar suas vendas externas por conta própria.
A informação foi detalhada por fontes próximas ao processo, citando que o objetivo é diversificar o acesso aos metais e reduzir a dependência de um único parceiro. O aumento ocorre mesmo diante de sinais de que o país não rompe com a China como rota principal de comércio.
A iniciativa ocorre em um contexto de relações comerciais com a China, que continua presente após um memorando de cooperação sobre recursos minerais assinado entre os dois países em março. A assinatura aponta para continuidade de parcerias de longo prazo.
Há pouca transparência pública sobre os contratos que permitirão o aumento das exportações para os EUA, e não há clareza sobre impactos sociais e ambientais da expansão da extração. Críticos destacam riscos de corrupção e de violação de padrões ambientais.
Segundo representantes da sociedade civil, há preocupações sobre processos de licitação, fiscalização e participação de comunidades locais. Observa-se a possibilidade de impactos ambientais e conflitos com comunidades próximas aos locais de mineração.
Algumas informações indicam que o cobre pode ser extraído de minas no sudeste da DRC, incluindo Tenke Fungurume, operada por uma controlada da CMOC Group Ltd. em parceria com a Gécamines. A mineradora já enfrentou denúncias de violações e poluição.
Contexto regional envolve o M23, grupo armado que atua no leste do país desde 2025, com controle sobre trechos da fronteira com Ruanda. Em Washington, acordos de paz e cooperação foram firmados no final de 2023, com menção a facilitação de ativos minerais para empresas estrangeiras.
Neste mês, a Virtus Minerals, com base nos EUA, assinou acordo para acesso a cobre e cobalto no sudeste da DRC. Empresas americanas também demonstram interesse em depósitos de cobre em áreas sob influência do M23.
Além disso, em abril, o DRC anunciou a criação de uma unidade de “guarda mineira” para proteger minas e a cadeia de suprimento de minerais. A força terá financiamento internacional e relação com autoridades reguladoras, sem detalhar papéis específicos de parceiros.
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