Dois agentes da CIA morreram em um acidente de carro durante uma operação para desmantelar laboratórios clandestinos de drogas sintéticas no estado de Chihuahua, no norte do México. A operação ocorreu entre sexta-feira, 17, e domingo, 19 de abril, envolvendo a Procuradoria de Chihuahua e o Exército. A revelação da participação de civis americanos gerou repostas formais de autoridades mexicanas e estrangeiras.
O acidente aconteceu na noite de 19 de abril, quando o comboio retornava à capital do estado. Segundo o então procurador-geral de Chihuahua, César Jáuregui, o veículo capotou durante a madrugada. Além dos dois agentes da CIA, morreram o diretor da AEI, Pedro Román Oseguera Cervantes, e o escolta Manuel Genaro Méndez Montes. Dois funcionários americanos vinculados à Embaixada também estavam no carro.
A notícia provocou resposta diplomática: o embaixador dos EUA, Ronald Johnson, lamentou as perdas e ressaltou o desafio conjunto de segurança entre os dois países. Na mesma semana, o governo mexicano manifestou que solicitará explicações oficiais ao governo de Chihuahua e aos EUA sobre a presença de agentes estrangeiros no estado.
Na segunda-feira, 20 de abril, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo não tinha conhecimento prévio da presença dos agentes em Chihuahua e pediu esclarecimentos para verificar se houve violação à Constituição ou à Lei de Segurança Nacional. A investigação busca entender como ocorreu a cooperação entre autoridades mexicanas e agentes estrangeiros.
Levantamentos iniciais indicam que, segundo autoridades mexicanas, os agentes entraram no México de modo irregular para a operação, com credenciamento irregular ou inexistente. O gabinete de Segurança do governo federal afirmou que nenhum dos falecidos possuía credenciamento para atividades operacionais no território mexicano.
A partir de 21 de abril, veículos internacionais passaram a reportar que os falecidos eram agentes da CIA. A divulgação gerou questionamentos sobre a presença de agências estrangeiras em território mexicano e levou o Senado a chamar autoridades para prestar esclarecimentos.
No dia seguinte, a governadora de Chihuahua, Maria Eugenia Campos, participou de encontros com autoridades federais para discutir o caso. Em 23 de abril, Campos divulgou apoio à atuação conjunta entre governos, sempre dentro do marco legal. Uma unidade especial da Procuradoria de Chihuahua foi criada para investigar a presença dos agentes.
No dia 25 de abril, autoridades mexicanas informaram que, segundo registros migratórios, um agente americano entrou como visitante sem autorização para atividades remuneradas, enquanto o outro entrou com passaporte diplomático. A mensagem reforçou que nenhum dos dois tinha credenciamento para operações no país. A Procuradoria-Geral da República abriu duas investigações: sobre os laboratórios e sobre a presença dos agentes.
Entre as informações já divulgadas, destaca-se que os agentes estavam vestidos à paisana, sem identificação ou armas à vista durante grande parte do trajeto, e manteram contato direto com autoridades locais. As investigações continuam para esclarecer responsabilidades e circunstâncias do ocorrido.
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