O piloto da Flydubai atacado pelo próprio copiloto durante um voo dos Emirados Árabes Unidos para Israel contou nesta sexta-feira (2), pela primeira vez, como conseguiu abrir a porta da cabine mesmo ferido e permitir a entrada de passageiros e tripulantes para evitar que o avião caísse.
“Não podia deixar todas aquelas pessoas morrerem“, afirmou o comandante Smit Machchhar, que conversou por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, de seu leito no hospital.
O ataque ocorreu na quarta-feira (30). Durante o confronto dentro da cabine, a aeronave perdeu cerca de 17 mil pés de altitude em apenas um minuto, segundo dados do site de rastreamento Flightradar24.
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Machchhar contou que percebeu que o avião estava caindo e decidiu abrir a porta da cabine como um último recurso para conseguir ajuda.
“Eu havia sofrido tantos ferimentos que desmaiei. Naquele momento, conseguia sentir que a aeronave estava caindo. Eu sabia que aquela era a última tentativa, que a porta estava bem ali”, relatou.
“Eu ainda estava sendo agredido naquele momento, mas simplesmente abri a porta e todos entraram.”
Passageiros e outros tripulantes conseguiram entrar na cabine e houve uma luta pelo controle da aeronave. O avião acabou fazendo um pouso de emergência na Arábia Saudita.
Machchhar tem 17 anos de experiência na aviação, sendo 11 como comandante. Segundo ele, essa experiência ajudou a perceber o que estava acontecendo com a aeronave mesmo enquanto estava ferido. Durante o episódio, o piloto também disse ter recitado uma oração hindu dedicada à divindade Hanuman. “Sei que foi o próprio Deus que me salvou”, afirmou.
Copiloto é investigado
As circunstâncias e a motivação do ataque ainda estão sob investigação. O copiloto foi levado de volta aos Emirados Árabes Unidos, onde as autoridades apuram se houve alguma “atividade ou intenção terrorista”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto é cidadão de Omã e alegou que ele teria passado por uma “doutrinação radical islâmica”. Segundo Netanyahu, durante o ataque o homem teria gritado: “Mate-me, mate-me”.
As declarações sobre a motivação do copiloto ainda dependem das conclusões da investigação.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (1º) que, caso seja constatado envolvimento do Irã no episódio, o país seria “atingido com muita força”. Até o momento, as informações apresentadas não estabelecem participação iraniana no ataque.
Flydubai suspende voos para Israel
Os passageiros do voo, em sua maioria israelenses, retornaram a Israel em outra aeronave.
Após o episódio, a Flydubai suspendeu temporariamente os voos de e para Israel, deixando alguns passageiros israelenses retidos nos Emirados Árabes Unidos.
A companhia israelense El Al planejou voos especiais para buscá-los, mas precisou cancelar as operações previstas para esta sexta-feira (2) porque, segundo a empresa, as autoridades dos Emirados Árabes Unidos não autorizaram o pouso das aeronaves. A El Al afirmou que pretende realizar os voos assim que receber a autorização necessária.
*Com informações da AFP
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