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Cornell 7: Caso de estupro coletivo em universidade causa indignação nos EUA

Só 2 dos 7 envolvidos foram expulsos da universidade; mensagens vazadas levaram à reabertura do caso, ocorrido em 2024

Dois prédios de pedra em estilo gótico, ligados por uma construção baixa com arcos e uma bandeira ao centro, cercados por pinheiros e gramado verde, com um vale arborizado e céu nublado ao fundo.
Vista do campus da Universidade Cornell, no estado de Nova York (Crédito: Axel Tschentscher/Wikimedia Commons)

Um caso de estupro coletivo relatado por uma ex-aluna da Universidade Cornell, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, provocou indignação pública no país mais de um ano depois da primeira denúncia da vítima,  que afirma ter sido dopada e violentada por sete integrantes da fraternidade Chi Phi em outubro de 2024.

Mensagens vazadas pela imprensa mostram que os homens envolvidos no crime trocaram mensagens sobre o ataque num grupo de Snapchat e chamaram outros participantes para se juntar a eles. O grupo tinha 50 integrantes, e nenhum deles procurou a polícia.

Na época, ao tratar do caso, a Universidade de Cornell tomou a decisão de expulsar somente dois dos alunos. Os outros cinco foram obrigados a escrever dissertações acadêmicas.

As punições brandas provocaram indignação pública e levaram o condado de Tompkins, no estado de Nova York, onde fica a instituição, a reabrir a investigação em setembro deste ano. O caso agora será analisado por um grande júri.

Entenda

A jovem, identificada pelo pseudônimo Jane Doe, levou o caso à Justiça por meio de uma ação civil. No processo, ela também acusa a universidade de não ter garantido sua proteção nem oferecido o apoio necessário.

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Cornell, por outro lado, diz que a apuração interna terminou com punições a parte dos alunos envolvidos, e que a fraternidade Chi Phi na universidade continua fechada. Alguns dos acusados negam as alegações, e outros não se pronunciaram.

Outro olhar sobre a prevenção

As pesquisadoras Jessica Ison, Sarah Vrankovich e Camille Schloeffel, da Universidade La Trobe, na Austrália, defendem em estudo recente que a prevenção da violência sexual dê mais atenção aos chamados fatores protetivos baseados em pontos fortes. Elas afirmam que o caso de Cornell chama atenção para os ambientes sociais em que esse tipo de crime acontece.

Segundo as autoras, as estratégias tradicionais se concentram no risco, ou seja, em identificar o que torna alguém mais propenso a cometer ou sofrer violência e em reduzir essa probabilidade. A abordagem que elas propõem vai além e busca entender o que precisa existir para que as pessoas se sintam seguras e acolhidas, criando condições que tornem a violência menos provável.

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Na prática, isso significa considerar fatores como segurança econômica, comunidades que oferecem apoio e relações baseadas em cuidado mútuo. As pesquisadoras ressaltam que o objetivo não é preparar as pessoas para resistir a ambientes inseguros, e sim cobrar das instituições a criação de espaços melhores.

Para as universidades, a mudança implicaria ir além de verificar se os alunos concluíram cursos sobre consentimento. Elas sugerem observar quais comportamentos misóginos são valorizados ou repreendidos em repúblicas e grupos de amigos e estimular uma cultura em que contestar atitudes nocivas não leve à exclusão social.

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As autoras ponderam que essa visão não isenta ninguém de responsabilidade individual. Para elas, porém, um problema estrutural não se resolve apenas pedindo que as pessoas mudem de comportamento.

*Com informações do The Conversation via Reuters.

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