A Serra Verde, mineradora de terras-raras em Minaçu (GO), foi vendida para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões em abril de 2026. A operação foi realizada sem participação direta do governo de Goiás, e sim com controle transferido entre grupos estrangeiros. O governo federal teve ciência do negócio, mas não interveio na ocasião.
A Serra Verde foi criada em 2010 com capital externo, envolvendo Denham Capital, Energy & Minerals Group e Vision Blue Resources. Não havia investimento de capital brasileiro na composição societária original. A venda, portanto, representou mudança de controle entre acionistas estrangeiros, não de uma empresa brasileira para estrangeiros.
Entre 2025 e 2026, o tema ganhou contornos geopolíticos. Em 2025, o empréstimo da US Development Finance Corporation (DFC) para a Serra Verde subiu de US$ 465 milhões para US$ 565 milhões, contribuindo para a reconfiguração de contratos com a China. O Financial Times divulgou detalhes sobre cláusulas de exclusividade que favoreceriam Estados Unidos.
Em abril de 2026, a reportagem do FT mostrou que o empréstimo da DFC possuía controles que indicavam destino comercial específico para os EUA e países alinhados, excluindo a China. 20 dias após, a US Rare Earth comprou a Serra Verde e firmou um contrato de fornecimento exclusivo de 15 anos com uma SPV americana.
A Agência Nacional de Mineração e o Ministério de Minas e Energia, embora cientes da negociação, não impediram a transferência. O Itamaraty informou que equipes técnicas de Brasília e Washington discutiam o tema em reuniões regulares, enquanto Goiás não possuía competência para intervir no acordo federal. A entrega de ativos estratégicos permaneceu sob guarda da União.
Nesta quinta-feira (7 de maio de 2026), Lula e Trump devem discutir a exploração de minerais críticos na reunião da Casa Branca. O governo brasileiro prepara um projeto de lei para regular o setor, com o objetivo de permitir veto a vendas de mineradoras para estrangeiros e incentivar processamento local. O texto também incentiva investimentos no Brasil para reduzir dependência de fornecedores externos.
Entre na conversa da comunidade