Em março de 2026, uma comissão independente da ONU constatou que crianças ucranianas são levadas à força para a Rússia ou movidas em territórios ocupados, com mais de 1,2 mil casos identificados. A organização acusa a Rússia de crimes contra a humanidade. A Rússia afirma que relocação ocorreu por segurança durante evacuações.
Segundo dados da ONU, 80% dos casos não tiveram retorno às famílias. Na Ucrânia, há registro mínimo de 20 mil casos, e o número real pode ser maior, segundo Maksym Maksymov, da Bring Kids Back UA, iniciativa ligada ao presidente Zelenski. As informações apontam para uma prática sistemática de separação, com diferentes vias de encaminhamento.
Permanência de longo prazo
Na Rússia, indícios indicam que crianças ucranianas permanecem com famílias russas ou em instituições, dificultando o reagrupamento familiar. Em 2023, autoridades russas afirmaram ter acolhido 744 mil crianças ucranianas. Retornos à Ucrânia ocorrem, mas não para todas as crianças, gerando discrepâncias entre bancos de dados.
Até o momento, a Ucrânia afirma ter conseguido trazer 2.126 crianças de volta. Elas foram deportadas para a Rússia, transferidas entre territórios ocupados ou submetidas a processos de “reeducação” na Rússia. Novos casos aparecem com frequência na mídia, dificultando o panorama completo.
Caminhos para devolução
Maksymov descreve dois caminhos de retorno. O primeiro é a mediação, com listas de crianças entregues aos russos e negociações com apoio de representantes de direitos humanos. Em um único processo, é comum retornar até 10 crianças. O segundo caminho é a repatriação organizada, em que organizações civis desempenham papel decisivo.
As crianças resgatadas chegam desorientadas e desconfiadas, aponta Maksymov. Esse retrato ressalta a dificuldade de reconstrução emocional durante o retorno à Ucrânia.
Da transferência à “reeducação”
A Ucrânia vê a evolução da estratégia russa como uma mudança de método. Entre 2022 e 2023 ocorreram transferências em massa para a Crimeia ocupada ou para a Rússia, com foco em assimilação e doutrinação. O objetivo é ampliar o controle sobre educação nos territórios ocupados e avançar na concessão de passaportes russos.
O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra Vladimir Putin e Maria Lvova-Belova por supostos crimes relacionados à situação. As autoridades russas mantêm o foco na militarização de crianças, com escolas que adotam currículos russos e participação em atividades para treinamento militar.
Militarização de crianças e adolescentes
Entre 2019 e 2025, pelo menos 6 mil crianças ucranianas teriam sido recrutadas pelo que é chamado de Exército Jovem. Há relatos de jovens que lutaram contra a Ucrânia após completarem a maioridade. Denúncias e investigações estão em andamento, com várias pessoas envolvidas em diferentes estágios de averiguação.
O SBU, Serviço de Segurança da Ucrânia, monitora a situação por meio de um centro de busca de prisioneiros de guerra e de pessoas privadas de liberdade. O centro alerta que a militarização em territórios ocupados vem aumentando e que jovens significativos são obrigados a servir.
Esforços diplomáticos e próximos passos
Em 2025, a ONU autorizou a coleta de informações sobre crianças sequestradas, com acesso humanitário e esforços para repatriar. A Coalizão Internacional para o Retorno das Crianças Ucranianas reúne 47 países e organizações para facilitar localização, devolução e reintegração, além de documentar crimes de guerra.
A última reunião da coalizão ocorreu em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. Um mecanismo de coleta de dados foi criado para subsidiar ações de parceiros na busca e retorno. O próximo encontro de alto nível está previsto para 11 de maio, em Bruxelas, com participação da União Europeia, Ucrânia e Canadá.
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