O Irã anunciou neste domingo a implementação de um “novo sistema jurídico e de segurança” no Estreito de Ormuz, alegando que países que acompanhem sanções dos EUA enfrentarão dificuldades para transitar pela rota. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Exército iraniano, general Mohammad Akraminia, à agência Irna.
Akraminia disse que o Irã passa a exercer controle fundamental e estratégico sobre o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de petróleo do mundo. Segundo o chefe militar, a medida pode impactar economia, política e segurança, e ajudar a neutralizar parte das sanções norte-americanas.
O militar afirmou que, a partir de agora, qualquer embarcação precisa coordenar com Teerã para atravessar o estreito. Ele disse ainda que o Irã não utilizava plenamente o potencial geopolítico da via até o momento, o que mudou em virtude do conflito atual.
Afirmou que o Estreito de Ormuz movimenta cerca de 20% do petróleo mundial, além de gás natural e outras matérias-primas. O Irã sustenta que a nova configuração reforça a soberania sobre a rota e a cooperação com navios que desejem transitar sob regras iranianas.
Ameaças e reação regional
No sábado, a Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano ameaçou o Bahrein com o fechamento do estreito “para sempre”, caso o país alinhasse com uma resolução dos EUA na ONU sobre a passagem segura. O líder da comissão alertou contra o fechamento definitivo.
EUA e Bahrein apresentaram à ONU um rascunho de resolução apoiado por Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, defendendo a liberdade de navegação no estreito e pedindo que o Irã cesse ataques, colocação de minas e cobranças de pedágio.
O novo texto substitui parte de uma versão anterior, removendo referência ao Capítulo VII da Carta da ONU. O embaixador iraniano aos EUA chamou o rascunho de defeituoso, apontando parcialidade e motivações políticas.
Contexto de operações no Estreito
Desde o início de ataques e respostas na região, o Irã impôs restrições à passagem de navios no estreito em fevereiro, enquanto os EUA implementaram um bloqueio naval contra navios iranianos a partir de abril. O objetivo americano é pressionar Teerã por um acordo de paz não alcançado até o momento.
Pelo lado iraniano, houve repostas militares após ataques a navios iranianos e contra instalações aliadas na região. As partes chegaram a trocar ataques em dias recentes, mesmo com um cessar-fogo vigente desde abril.
Com informações da Agência EFE.
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